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'Chalita recebeu R$ 50 milhões em propina', diz ex-auxiliar

Homem que afirma ter atuado como auxiliar da pasta de Educação quando deputado era secretário diz que soma se refere a dinheiro e presentes de empresas

26 de fevereiro de 2013 | 2h 04
Bruno Boghossian e Fausto Macedo, de O Estado de S.Paulo

O analista de sistemas que acusa Gabriel Chalita (PMDB) de cobrar propina de empresários quando era secretário de Educação de São Paulo (2002-2006) afirmou que o deputado recebeu mais de R$ 50 milhões ilegalmente quando estava no governo. Roberto Grobman disse que viu Chalita receber caixas com "pilhas de notas de dinheiro" pelo menos seis vezes em seu apartamento e dentro da secretaria.

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"Ele olhava aquilo eufórico, pegava o dinheiro e começava a distribuir (a auxiliares)", afirmou, em entrevista ao Estado.

Grobman, ex-colaborador do grupo educacional COC (atual SEB), reforçou que Chalita cobrava 25% de empresas interessadas em firmar contratos com sua pasta. Ele afirmou ainda que usava uma sala, um ramal e um e-mail da secretaria, apesar de não ter sido nomeado oficialmente para cargo algum.

"Eu soltei só um fio; agora é só puxar que vão ver muita coisa suja", declarou o analista.

Como funcionava o esquema de corrupção na secretaria?
Ele (Chalita) pedia dinheiro antecipado a qualquer empresa interessada em fechar contratos com a secretaria. A empresa dava parte do dinheiro antes e, depois, pagava outra parte.

Que valor era cobrado?
O Chalita cobrava 25% do valor dos contratos das empresas que queriam participar do esquema. Ele chamava esse valor de "golden number". Ele até usava uma expressão errada em inglês: "gold number".

Chalita pedia dinheiro diretamente às empresas?
Pessoalmente, não. Em reuniões, dizia ao Paulo Barbosa (secretário adjunto): "precisamos de tanto dinheiro". Barbosa fazia o filtro para receber empresários.

Como era feito o pagamento?
Parte chegava em caixas de papelão - umas caixas fininhas, de 7 cm de altura, mas compridas, do tamanho de uma guitarra. Dentro dessas caixas vinham as pilhas de notas de dinheiro.

Quanto o sr. calcula que Chalita tenha recebido?
Acima de R$ 50 milhões, entre dinheiro e pagamento de despesas e produtos.

O sr. presenciou Chalita recebendo dinheiro?
Sim, no apartamento dele. Ele olhava aquilo eufórico, pegava o dinheiro e começava a distribuir aos auxiliares para que cumprissem missões.

Quantas vezes o sr. viu a entrega de caixas de dinheiro?
Um monte de vezes, acho que seis, sete ou oito vezes. Quem fazia a coleta era o Milton Leme, que foi diretor de tecnologia da informação da FDE (Fundação para o Desenvolvimento da Educação). O outro era o (Luiz Carlos) Quadrelli, atual secretário de Desenvolvimento. Eles faziam as coletas nas empresas que participavam das licitações e entregavam a Chalita.

O sr. prestava favores a Chalita, em nome do grupo COC?
Minha parte era comprar produtos nas viagens internacionais. Se ele pedia, eu perguntava à empresa se podia comprar. TV de plasma, computador, um sistema de ponto eletrônico moderno de US$ 12 mil. O Chaim tinha um King Air e fretava uma empresa que levou Chalita para vários lugares.

Quanto custou a reforma do apartamento de Chalita?
O Chaim me mandou pagar com dinheiro da offshore. Uma empresa gastou R$ 93 mil, para um telão. Outra gastou US$ 89 mil.

O sr. trabalhou na secretaria?
Fui assessor de gabinete, mas sem nomeação. A chefe de gabinete Mariléa Nunes Vianna me deu uma sala, a 244-A. Eu tinha um ramal, eu tinha um computador, eu tinha um e-mail da secretaria, um e-mail do governo.

Faria acareação com Chalita?
É claro que sim. Tenho fotos minhas com ele. Eu corria com ele, viajava com ele, fazia academia junto. Não tenho medo de repetir o que disse. A verdade nunca dói. Tenho e-mails e fotografias que comprovam o esquema.




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