Chile revê para baixo mortos pelo tremor
Novo cálculo aponta 316 vítimas em Maule, após cruzamento da lista de mortos com a de desaparecidos; economia deve crescer 1% em 2010
PREJUÍZO - Homem vistoria barris de vinho na Vinícola Santa Rita, em Santiago, que foi danificada pelo tremor: 125 mil litros perdidos
O terremoto de 8,8 graus na escala Richter que atingiu o Chile no sábado fez com que a economia do país ficasse "seriamente comprometida", segundo relatórios divulgados pelo governo.
Ainda ontem, a presidente Michelle Bachelet reduziu de 587 para 316 o número de mortos na região de Maule, seguno o jornal La Tercera. Em uma visita à cidade de Talca, ela disse que os desaparecidos na região foram inicialmente somados à lista de mortos. Segundo Bachelet, aparentemente foram dadas como mortas mais de 200 pessoas que participavam de uma celebração na Ilha Orrego, cujo paradeiro se desconhece. "Se houver menos mortos, melhor", disse. Antes da revisão, o número oficial de mortos era de 802 em todo o país. O governo também divulgou uma lista com os nomes de 279 das vítimas identificadas, decretou luto nacional de 3 dias e suspendeu a busca aos sobreviventes.
O crescimento do país deve ser de 1% em 2010 - a previsão inicial era de 4% -, e a reconstrução pode levar de 3 a 4 anos. As duas regiões que foram mais durante atingidas pelo desastre - Biobío e Maule - respondem por 76% da atividade agroindustrial chilena. O setor entraria em março no período que corresponde ao pico de produção, que dura até junho e responde por 40% do lucro anual.
O terremoto e o tsunami que arrasaram com as duas regiões pegaram em cheio o período mais produtivo. Por outro lado, a construção civil espera aumentar em 10% as contratações. Atualmente, 600 mil trabalhadores atuam no setor, que responde por 6,8% do PIB.
As empresas produtoras de celulose - um dos principais produtos de exportação do Chile, com o minério de cobre e produtos agrícolas - estão perdendo 2% de sua produção anual por semana, o que equivale a deixar de produzir 90 mil toneladas de celulose a cada sete dias.
As duas regiões mais afetadas também perderam metade de sua capacidade produtiva no setor pesqueiro, o que provocou uma redução de 25% na produção nacional de pescado. Mas a frota de barcos não sofreu danos graves e poderá operar a partir de outros portos. O setor mais afetado, o de telefonia fixa e móvel, ainda não conseguiu calcular os prejuízos dos últimos cinco dias, já que parte de seu serviço ainda não foi completamente restabelecido.
Na área de energia, 17% dos 3,8 milhões de moradores das regiões de Valparaíso, na costa central, e da Araucanía, no sul, ainda não contam com o restabelecimento total do serviço. O corte da eletricidade comprometeu 64% da produção nacional de cobre, só no sábado. Mas, como as mineradoras retomaram os serviços na segunda-feira, as perdas foram diluídas.
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