China quer acesso a segredos do Volt, da GM
Governo chinês exige acesso a projeto do carro para liberar subsídios à venda no país
THE NEW YORK TIMES
.jpg)
TIANJIN, CHINA
Para a General Motors e o governo de Barack Obama, o novo carro híbrido Chevrolet Volt representa o futuro do automóvel, a coroação de décadas de pesquisa em alta tecnologia financiada, em parte, com dinheiro federal. Mas agora que a GM se prepara para vendê-lo na China até o fim deste ano, o governo chinês está exercendo uma forte pressão sobre a companhia para compartilhar parte da tecnologia básica do carro.
O governo chinês está se recusando a qualificar o Volt para subsídios que totalizam até US$ 19.300 por carro, a menos que a GM concorde em transferir os segredos de engenharia de uma das três tecnologias principais do Volt a uma joint venture na China com uma fabricante chinesa, segundo executivos da GM. Alguns especialistas em comércio internacional disseram que a China se arriscará a violar regras da Organização Mundial do Comércio (OMC) se impuser esse requisito.
O pedido do governo é o mais recente exemplo da disposição da China de usar a alavancagem que é o acesso do Ocidente ao vasto mercado chinês para extrair concessões sobre tecnologias avançadas. Políticas para forçar transferências de tecnologia ajudaram o país a construir grandes indústrias em áreas como turbinas eólicas, trens de alta velocidade e purificação da água. Empresas ocidentais se queixaram de que a tática cria um campo de jogo desigual para quem tenta competir com indústrias domésticas chinesas.
A disputa sobre o Volt ameaça levar a outra disputa comercial com o Ocidente e poderá afetar a dinâmica de uma visita à China, neste mês, do secretário americano de Energia, Steven Chu.
Os subsídios ao consumidor em questão são considerados cruciais para ajudar veículos elétricos e híbridos a "emplacarem" na China, que se tornou o maior mercado mundial de carros em 2009.
O governo chinês tornou prioritária dar um passo à frente em relação aos carros que queimam combustíveis fósseis e emitem gases poluentes. Em uma conferência setorial em Tianjin, cidade portuária perto de Pequim, no último fim de semana, autoridades do governo conclamaram os fabricantes automotivos chineses a colocar uma nova ênfase na produção de modelos tecnologicamente avançados e com consumo mais eficiente de combustível, incluindo híbridos movidos a gasolina e a eletricidade e carros inteiramente elétricos.
Subsídio local. Por enquanto, os subsídios estão disponíveis para carros elétricos fabricados por montadoras chinesas, como o e6, fabricado pela BYD, dando-lhes uma enorme vantagem competitiva. O Volt, se a GM prosseguir com o plano de começar a vendê-lo na China, será o primeiro carro para o mercado de massa predominantemente elétrico importado para a China por uma fabricante estrangeira.
O Volt ainda não teve seu preço estipulado na China. Mas os subsídios chineses são quase a metade do preço de varejo sugerido para o Volt nos Estados Unidos, US$ 41 mil, antes de incluir um abatimento fiscal de até US$ 7,5 mil que Washington oferece.
O abatimento fiscal americano não se limita a carros domésticos, nem exige transferências de tecnologia.
A GM está pressionando as autoridades chinesas para deixarem o Volt se qualificar aos subsídios e isenções fiscais sem a transferência de tecnologia. "Nós levaremos o assunto a todas as conversas que tivermos", disse Raymond Bierzynski, diretor executivo da estratégia de eletrificação da GM China, com sede em Xangai. A GM tem várias joint ventures com diversas montadoras chinesas, mas pretende importar o Volt dos EUA.
Companhias globais como Ford, Nissan, Toyota, Volkswagen e Daimler gastaram bilhões de dólares para desenvolver carros elétricos e híbridos plug-in. Elas estão ansiosas para começar a ganhar um retorno sobre esses investimentos vendendo-os na China, onde 17 milhões de carros - virtualmente todos movidos a gasolina - foram vendidos no ano passado.
Mas as fabricantes japonesas e europeias, em particular, recuaram temendo a perda de segredos comerciais se forem obrigadas a partilhar suas tecnologias mais novas com companhias chinesas. A Ford, arquirrival da GM, já tem a intenção de ceder ao pedido chinês, segundo um executivo da empresa. Mas a Ford ainda está realizando somente projetos de demonstração de carros elétricos na China, incluindo um esforço feito em Tianjin, e ainda não marcou uma data para as vendas comerciais de seus produtos. / TRADUÇÃO DE CELSO PACIORNIK
Preço
US$ 19,3 mil seria o subsídio para cada unidade do Volt na China, se a empresa liberasse acesso à tecnologia
US$ 41 mil é o preço do carro nos EUA, sem contar o subsídio de US$ 7,5 mil
Siga o @EstadaoEconomia no Twitter
- 09:45 Dólar deve fechar 2012 valendo R$ ...
- 09:36 Focus reduz para 2,99% expansão da ...
- 09:23 Focus aponta queda de 0,50 ponto na ...
- 09:13 IPCA em 2012 recua para 5,17% na pesquisa Focus
- 09:11 Otimismo motivou leve alta do Índice ...
- 09:00 Mercado financeiro prevê queda na ...
- 08:49 Índice de Construção Civil sobe 1,3% ...
- 08:45 Ultrapar compra terminal de granéis ...
- 08:44 Confiança da indústria sobe 0,1% em ...
- 08:22 Ações asiáticas e euro se recuperam ...









