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China quer acesso a segredos do Volt, da GM

Governo chinês exige acesso a projeto do carro para liberar subsídios à venda no país

07 de setembro de 2011 | 0h 00
Keith Bradsher - O Estado de S.Paulo

THE NEW YORK TIMES

De fora. General Motors enfrenta dificuldades para colocar seu carro híbrido, o Volt, na disputa pelo cobiçado mercado chinês - Rebecca Cook/Reuters
Rebecca Cook/Reuters
De fora. General Motors enfrenta dificuldades para colocar seu carro híbrido, o Volt, na disputa pelo cobiçado mercado chinês

TIANJIN, CHINA

Para a General Motors e o governo de Barack Obama, o novo carro híbrido Chevrolet Volt representa o futuro do automóvel, a coroação de décadas de pesquisa em alta tecnologia financiada, em parte, com dinheiro federal. Mas agora que a GM se prepara para vendê-lo na China até o fim deste ano, o governo chinês está exercendo uma forte pressão sobre a companhia para compartilhar parte da tecnologia básica do carro.

O governo chinês está se recusando a qualificar o Volt para subsídios que totalizam até US$ 19.300 por carro, a menos que a GM concorde em transferir os segredos de engenharia de uma das três tecnologias principais do Volt a uma joint venture na China com uma fabricante chinesa, segundo executivos da GM. Alguns especialistas em comércio internacional disseram que a China se arriscará a violar regras da Organização Mundial do Comércio (OMC) se impuser esse requisito.

O pedido do governo é o mais recente exemplo da disposição da China de usar a alavancagem que é o acesso do Ocidente ao vasto mercado chinês para extrair concessões sobre tecnologias avançadas. Políticas para forçar transferências de tecnologia ajudaram o país a construir grandes indústrias em áreas como turbinas eólicas, trens de alta velocidade e purificação da água. Empresas ocidentais se queixaram de que a tática cria um campo de jogo desigual para quem tenta competir com indústrias domésticas chinesas.

A disputa sobre o Volt ameaça levar a outra disputa comercial com o Ocidente e poderá afetar a dinâmica de uma visita à China, neste mês, do secretário americano de Energia, Steven Chu.

Os subsídios ao consumidor em questão são considerados cruciais para ajudar veículos elétricos e híbridos a "emplacarem" na China, que se tornou o maior mercado mundial de carros em 2009.

O governo chinês tornou prioritária dar um passo à frente em relação aos carros que queimam combustíveis fósseis e emitem gases poluentes. Em uma conferência setorial em Tianjin, cidade portuária perto de Pequim, no último fim de semana, autoridades do governo conclamaram os fabricantes automotivos chineses a colocar uma nova ênfase na produção de modelos tecnologicamente avançados e com consumo mais eficiente de combustível, incluindo híbridos movidos a gasolina e a eletricidade e carros inteiramente elétricos.

Subsídio local. Por enquanto, os subsídios estão disponíveis para carros elétricos fabricados por montadoras chinesas, como o e6, fabricado pela BYD, dando-lhes uma enorme vantagem competitiva. O Volt, se a GM prosseguir com o plano de começar a vendê-lo na China, será o primeiro carro para o mercado de massa predominantemente elétrico importado para a China por uma fabricante estrangeira.

O Volt ainda não teve seu preço estipulado na China. Mas os subsídios chineses são quase a metade do preço de varejo sugerido para o Volt nos Estados Unidos, US$ 41 mil, antes de incluir um abatimento fiscal de até US$ 7,5 mil que Washington oferece.

O abatimento fiscal americano não se limita a carros domésticos, nem exige transferências de tecnologia.

A GM está pressionando as autoridades chinesas para deixarem o Volt se qualificar aos subsídios e isenções fiscais sem a transferência de tecnologia. "Nós levaremos o assunto a todas as conversas que tivermos", disse Raymond Bierzynski, diretor executivo da estratégia de eletrificação da GM China, com sede em Xangai. A GM tem várias joint ventures com diversas montadoras chinesas, mas pretende importar o Volt dos EUA.

Companhias globais como Ford, Nissan, Toyota, Volkswagen e Daimler gastaram bilhões de dólares para desenvolver carros elétricos e híbridos plug-in. Elas estão ansiosas para começar a ganhar um retorno sobre esses investimentos vendendo-os na China, onde 17 milhões de carros - virtualmente todos movidos a gasolina - foram vendidos no ano passado.

Mas as fabricantes japonesas e europeias, em particular, recuaram temendo a perda de segredos comerciais se forem obrigadas a partilhar suas tecnologias mais novas com companhias chinesas. A Ford, arquirrival da GM, já tem a intenção de ceder ao pedido chinês, segundo um executivo da empresa. Mas a Ford ainda está realizando somente projetos de demonstração de carros elétricos na China, incluindo um esforço feito em Tianjin, e ainda não marcou uma data para as vendas comerciais de seus produtos. / TRADUÇÃO DE CELSO PACIORNIK


Preço

US$ 19,3 mil seria o subsídio para cada unidade do Volt na China, se a empresa liberasse acesso à tecnologia

US$ 41 mil é o preço do carro nos EUA, sem contar o subsídio de US$ 7,5 mil

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