ir para o conteúdo
 • 

Patrocinado por

Você está em Notícias > Política

Codevasf pagou quase R$ 1 milhão por terra de primos de Bezerra

Codevasf, presidida por irmão do ministro da Integração, fez três pagamentos de R$ 233 mil a parentes dele

13 de janeiro de 2012 | 3h 05
Julia Duailibi e Fernando Gallo

A Companhia de Desenvolvimento dos Vales do São Francisco e do Parnaíba (Codevasf), ligada ao Ministério da Integração Nacional, pagou quase R$ 1 milhão pela desapropriação de terras que pertenciam a familiares de primeiro grau do ministro Fernando Bezerra de Souza Coelho.

Veja também:
link Ministro cita só promessa de verbas ao se defender
link Depoimento vira uma 'tortura' de números
link Congresso perde poder de investigar Planalto
link Ministro admite: governo quis saída de irmão
link ESPECIAL: Saiba mais sobre as denúncias contra o ministro

Fernando Bezerra durante o depoimento no Congresso Nacional - Dida Sampaio/AE 12.01.2012
Dida Sampaio/AE 12.01.2012
Fernando Bezerra durante o depoimento no Congresso Nacional

Os pagamentos pela compra dos terrenos, no interior da Bahia, foram realizados em abril do ano passado, quando o presidente interino da Codevasf era Clementino de Souza Coelho, irmão do ministro - ontem foi publicada no Diário Oficial da União a exoneração dele do órgão, a pedido.

De acordo com informações do sistema de execução orçamentária do governo federal, foram feitos três pagamentos pela aquisição das terras que pertenciam a primos de primeiro grau do ministro. Os irmãos Nilo Augusto Moraes Coelho e Silvio Roberto de Moraes Coelho receberam, cada um, R$ 233.619,16.

A empresa Imobiliária de Terrenos Rurais e Urbanos Ltda. (Itrul), que não está mais ativa e pertence a outros primos do ministro, foi remunerada, na operação, com R$ 506.174,86.

Os pagamentos pela desapropriação dos terrenos ocorreram três meses depois de Clementino de Souza Coelho, que também era diretor de Desenvolvimento Integrado e Infraestrutura da Codevasf, assumir a presidência do órgão interinamente, em janeiro do ano passado.

A companhia é subordinada ao Ministério da Integração Nacional, pasta assumida por Fernando Bezerra também em janeiro, após indicação do governador Eduardo Campos (PSB-PE).

Segundo a Codevasf, as terras serão usadas para a implementação de um programa de agricultura irrigável numa região conhecida como Baixio de Irecê, na região do Vale do Médio São Francisco. O projeto prevê irrigar área de 59.375 hectares. Apenas uma parte do terreno pertence aos primos dos irmãos Bezerra - a Codevasf não informou qual.

Nilo Bezerra afirmou que sua família adquiriu cerca de um terço das terras há mais de 30 anos. Disse também que falta receber uma parte do pagamento pela desapropriação. A Codevasf não informou o valor.

Além dos familiares do ministro, há outros beneficiários da desapropriação. O custo com a aquisição dos imóveis no ano passado foi de R$ 24 milhões.

Decisão. Nilo Coelho afirmou que a decisão do pagamento de suas terras não foi política, mas judicial. "Quem mandou pagar não foi o Clementino, não. Foi um juiz federal de Feira de Santana. Disso eu tenho certeza absoluta", declarou. Ele afirmou ainda que nunca ligou para Fernando Bezerra nem para Clementino de Souza Coelho para pedir intervenção na liberação do pagamento pelas terras.

"Estou no PSDB. Tenho uma posição política adversária à do governo federal. Não os envolvi na compra e também não iria envolvê-los na venda", afirmou ele, que foi prefeito da cidade baiana de Guanambi.

O outro primo, Rafael de Souza Coelho, representante da Itrul, disse que a desapropriação prejudicou a família, que teve de questionar os valores na Justiça.

Ele alegou ainda que não tem relação de proximidade com o ministro nem com o ex-presidente interino da Codevasf. "Minha família é árabe, tenho mais de 54 primos", declarou.



Siga o @EstadaoPolitica no Twitter

Ex-pintor não sabia que poderia ter acesso ao Bolsa Família

  • Ex-pintor não sabia que poderia ter acesso ao Bolsa Família
  • Ministros anunciam 12 vetos ao texto do Código Florestal
  • Calçadas e árvores fazem a diferença entre as cidades