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Colunista William Safire morre aos 79 anos

Jornalista americano redigiu discursos de Nixon e ganhou Prêmio Pulitzer

28 de setembro de 2009 | 0h 00
NEW YORK TIMES - O Estadao de S.Paulo

William Safire, autor dos discursos do ex-presidente americano Richard Nixon (1969-1974) e vencedor do Prêmio Pulitzer por suas colunas de política e linguagem no jornal americano The New York Times, morreu ontem aos 79 anos em um asilo em Rockville, no Estado americano de Maryland, de complicações decorrentes de câncer pancreático.

Por mais de 30 anos, Safire escreveu duas vezes por semana sua coluna de política Essay no jornal americano e era conhecido por seu conservadorismo. Em 1978, sua coluna sobre a administração financeira de Bert Lance, diretor de Orçamento do então presidente americano Jimmy Carter (1977-1981), rendeu-lhe o Pulitzer de Opinião. Em 1979, ele começou a escrever a coluna On Language, em que examinava a origem e o uso de palavras e frases coloquiais do idioma.

A ERA NIXON

Safire começou sua carreira em 1951: trabalhou em rádio, televisão e, entre 1952 e 1954, serviu o Exército dos EUA. Em 1955, foi nomeado vice-presidente da Tex McCrary, uma firma de relações públicas que tinha como um de seus clientes a companhia que construiu a "típica casa americana" para a Exibição Nacional dos EUA em Moscou. O evento foi aberto oficialmente por Nixon, então vice-presidente dos EUA, em 24 de julho de 1959. Nessa ocasião, Safire inquiriu Nixon e o líder soviético Nikita Khrushchev sobre os méritos relativos do capitalismo e do comunismo, no que ficou conhecido como o famoso "kitchen debate".

Em seguida, Safire foi contratado por Nixon para sua campanha presidencial de 1960, contra o candidato John F. Kennedy. Em 1968, Safire se tornou assistente especial de Nixon. Ao integrar o time de escritores de discursos da Casa Branca, o colunista ajudou os conservadores a ganharem respeito na década de 1970. Durante esse período, Safire escreveu sobre a Guerra do Vietnã, organizou a ida de Nixon à China e lidou com a explosão pública do escândalo do caso Watergate.

Em 1973, antes que a situação piorasse e Nixon renunciasse no ano seguinte, Safire largou o cargo e passou a trabalhar no New York Times.

Ao longo de sua carreira, ele redigiu mais de 3 mil colunas, espaço no qual defendia os direitos civis e também se dirigia a figuras políticas.

Em 1992, depois de votar em Bill Clinton para presidente, Safire se tornou um dos maiores líderes de críticas à administração democrata. Em uma oportunidade, chamou Hillary Clinton de "mentirosa congênita". A então primeira-dama respondeu que não se sentia ofendida. Mas o secretário de imprensa da época, Mike McCurry, afirmou que Bill Clinton teria "dado uma resposta mais agressiva diretamente no nariz de Safire, se não fosse presidente."

LEGADO

Nascido em Nova York, Safire era casado desde 1962 com Helene Belmar Julius, modelo, pianista e designer de joias. Safire deixou a mulher, os dois filhos, Mark e Annabel, e a neta, Lily Safire.

O jornalista se aposentou de sua coluna política em 2005. Seu último texto foi intitulado "Nunca Se Aposente". Safire também escreveu diversos livros de ficção, incluindo o best-seller Full Disclosure, e obras de não-ficção sobre política e linguagem.

Após a saída do jornal, Safire se tornou presidente da Fundação Dana, que apoia pesquisas nas áreas de neurociência, imunologia e disfunções cerebrais. Entre 1995 e 2004, participou da junta diretiva dos prêmios Pulitzer. Em 2006, recebeu a Medalha Presidencial da Liberdade do presidente americano George W. Bush (2001-2009). W