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Com aval de evangélicos, pastor assume comissão e diz que votará temas polêmicos

08 de março de 2013 | 2h 11
EUGÊNIA LOPES / BRASÍLIA - O Estado de S.Paulo

Com 11 votos favoráveis e um em branco, o pastor Marco Feliciano (PSC-SP) foi eleito ontem para presidir a Comissão de Direitos Humanos e Minorias da Câmara. A polêmica escolha do pastor, membro da Assembleia de Deus acusado de ser homofóbico e racista, contou com aval da maioria dos partidos, inclusive do PT, que historicamente comandava a comissão. A partir de agora, os evangélicos têm maioria no colegiado da Câmara.

Policiais legislativos cercaram o corredor das salas das comissões para impedir a entrada de manifestantes e um novo tumulto, já que na quarta-feira a eleição teve de ser suspensa por conta dos protestos. A sessão ontem foi fechada, por determinação do presidente da Casa, Henrique Eduardo Alves (PMDB-RN).

Em represália à eleição do pastor, Domingos Dutra (PT-MA) renunciou à presidência da comissão momentos antes da votação. Parlamentares petistas, do PSOL e do PSB deixaram o plenário da comissão em protesto. Feliciano foi eleito com os votos de seis deputados do PSC e de parlamentares evangélicos. O PMDB, o PSDB e o PP cederam suas vagas para o PSC na comissão. Já o PSB, o PTB, o PSD, o PR e o PV indicaram como titulares deputados evangélicos.

'Coração negro'. Eleito, o pastor Feliciano afirmou que não é "nem homofóbico nem racista". "Ao longo deste ano de trabalho na comissão todos poderão constatar que não sou nada disto. Se eu tivesse algum comportamento racista, a primeira pessoa a quem eu deveria pedir desculpas é para minha mãe, que não tem pele negra, mas tem o cabelo negro, os lábios negros e o coração negro, como eu", disse o pastor.

Ele admitiu, no entanto, ser contra o casamento entre pessoas do mesmo sexo - "casamento é entre homem e mulher" -, a adoção de crianças por homossexuais e o aborto, mesmo nos casos de anencefalia.

Apesar de suas posições, o pastor disse que esses temas poderão ser discutidos na comissão. "Tranquilamente não sei, mas que temos condição de discutir, sim, sem problema algum." Em 2011, o pastor Feliciano escreveu no Twitter que o amor entre pessoas do mesmo sexo leva "ao ódio, ao crime e à rejeição" e que os africanos descendem de um animal "amaldiçoado".

Ontem, ele fez um apelo: "Não se deve julgar uma pessoa que tem 40 anos por 140 caracteres escritos. Me deem aqui uma chance". Depois do dia anterior, quando os manifestantes o cercaram, Feliciano foi acompanhado todo o tempo de seguranças da Câmara ontem, que o escoltaram até seu gabinete.

Bate-boca. Assim como na véspera, houve bate-boca entre parlamentares na sessão de ontem. Os defensores de Feliciano alegaram que o pastor enfrentava preconceito por ser evangélico. Enfatizaram que os evangélicos não são homofóbicos. "Nós amamos o homossexual, amamos o ser humano, não amamos a prática. Se o indivíduo quer amar a vaca... Cristão não é homofóbico. Ser contra o homossexualismo não nos torna homofóbicos. Amamos o pecador, não amamos a prática das coisas erradas. É a ditadura dos que são cristofóbicos", afirmou o pastor e deputado Takayama (PSC-PR).

O deputado Jean Wyllys (PSOL-RJ) reagiu: "Nós amamos os cristãos, mas detestamos a exploração comercial da fé".

Polêmica à vista. Existem hoje cerca de dez projetos polêmicos parados na comissão à espera de votação. Um deles é de Jean Wyllys, que regulamenta a atividade de profissionais do sexo. Outro, de autoria do deputado João Campos (PSDB-GO), presidente da Frente Parlamentar Evangélica, revoga resolução do Conselho Federal de Psicologia que impede psicólogos de tratar a orientação sexual de um paciente como doença. "Os projetos de real interesse sociedade ficarão parados. Eles vão aproveitar para desenterrar agora outras propostas, como a que prevê a redução da maioridade penal", previu Domingos Dutra. "Serei um magistrado", insistiu Feliciano.




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