'Commoditização' avança no País, afirma empresário
Participação da indústria no PIB caiu de 45% para 28% desde os anos 80
DESVANTAGEM - País exporta matéria-prima e importa produto pronto
O Custo Brasil é como um imposto que incide em cascata em todos os elos de uma cadeia produtiva. Dessa forma, reduz progressivamente a competitividade dos produtos brasileiros à medida que a cadeia produtiva se alonga. Ou seja, os favorecidos são justamente os setores produtores em grande escala de bens intensivos em recursos naturais e com menor capacidade de agregação de valor, que assim conseguem crescer a taxas mais aceleradas que o restante da indústria.
"Estamos falando do avanço do processo de "commoditização" da indústria brasileira, o que significa desindustrialização", afirma o empresário Mário Bernardini, assessor econômico da presidência da Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos (Abimaq).
Para o economista Júlio Sérgio Gomes de Almeida, assessor do Instituto de Estudos para o Desenvolvimento Industrial (Iedi), o País está na contramão do que acontece no mundo bem sucedido. "O segredo do sucesso da China, de uma grande indústria alemã ou dos Estados é que uma etapa a mais de transformação industrial agrega valor e competitividade. No nosso caso, agrega muito custo e retira competitividade."
Bernardini observa que a participação da indústria brasileira no Produto Interno Bruto (PIB) registra queda desde os anos 80. A contribuição do setor para a geração de riquezas no País caiu de aproximadamente 45% para cerca de 28%, enquanto o PIB per capita se estabiliza abaixo de US$ 10 mil.
"Em países em condições normais de desenvolvimento, a queda da participação da indústria no PIB vem acompanhada pelo aumento do PIB per capita, indicando que os serviços passam a ter maior peso na economia e que a indústria não se reduziu nominalmente."
Mario Bernardini acrescentou que, nos últimos dez anos, o investimento no Brasil cresceu a uma média anual de 8%. A questão é que 90% desses investimentos são concentrados em setores ligados a commodities (matérias-primas) agrícolas e minerais. "Nossa desindustrialização é seletiva, já que nas commodities temos vantagens que superam as desvantagens do Custo Brasil."
Gomes de Almeida cita que o País é campeão em competitividade na área de celulose, mas na hora de transformar a matéria-prima em papel perde toda a competitividade. "O Brasil perde gradativamente densidade industrial. Isso significa abrir mão de potencialidade de crescimento econômico, de geração de empregos mais remuneradores e de arrecadação de impostos."
Para mudar o quadro , o economista diz que o País precisa de uma política industrial de vários vértices, incluindo regulação em áreas como portos, crédito, infraestrutura, câmbio e inovação nas empresas. O presidente da Abimaq, Luiz Aubert Neto, enviou o estudo da entidade sobre o Custo Brasil para a equipe econômica do governo e para os candidatos à Presidência da República. M.R.
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