Como não entrar em um MBA no exterior
Saiba quais são os principais erros dos candidatos brasileiros aos MBAs
Entre os executivos, é consenso que fazer um curso de MBA em uma boa escola é uma das melhores maneiras de impulsionar a carreira, abrir portas e aumentar a rede de relacionamentos. Porém, não basta ter vontade, tempo e dinheiro. Entrar para uma boa escola exige preparação, e muitas realizam um processo seletivo rigoroso - e é aí que muitos executivos perdem a chance de ingressar no curso.
Segundo representantes de escolas internacionais e nacionais, a lista dos erros cometidos pelos executivos brasileiros já na primeira fase do processo é grande: desde não preencher os pré-requisitos até insinuar relações ilícitas com o governo.
"Os erros básicos são os ortográficos e deixar de responder alguma questão. Esses podem eliminar uma candidatura", diz Javier Muñoz Parrondo, diretor do MBA Admissions da Iese Business School, da Espanha. Mas ele relata que alguns erros são tão absurdos que acabam com qualquer chance de o executivo ser aprovado. "Já recebemos inscrições na qual a pessoa afirmava que gostaria de estudar em Boston, quando na verdade o full time MBA da Iese é oferecido em Barcelona."
Carolina Dorson trabalhou no Comitê de Admissões da Wharton School da Universidade da Pensilvânia, nos EUA, nos dois últimos anos, e também se deparou com inscrições inacreditáveis. "Ao ser perguntado sobre de que maneiras poderia colaborar com a comunidade de Wharton, um candidato brasileiro afirmou que caso qualquer colega se visse em maus lençóis com o governo brasileiro, ele tinha contatos para intervir e abafar o caso", relata. "Espere aí, corrupção não é algo que o Brasil tenta eliminar?"
Outro erro grave é dar referências familiares e políticas. "Li muitas inscrições em que o candidato utiliza metade do espaço para contar onde o pai dele trabalha, ou quem eles conhecem no governo. Isso não é razão para aprovar alguém", diz Carolina. "E pior ainda é quando o candidato paga alguém para escrever a inscrição. É visível que aquele texto não reflete o verdadeiro candidato."
CUIDADOS
Embora existam erros absurdos, em geral os problemas que eliminam candidatos são bem mais simples. "Muitos perdem o prazo para enviar suas inscrições", diz Parrondo. Ainda assim, o Brasil está entre os oito países que mais aprovam alunos no Iese. "A média mundial é 11,7% de aprovação, e entre os brasileiros esse número sobe para 15%."
E o número poderia ser maior se alguns detalhes fossem observados. "Os candidatos brasileiros não se dão conta de que estão concorrendo com pessoas do mundo inteiro e não destacam o seu diferencial, entre os quais bons resultados em qualquer área, seja social, cultural ou esportiva. Como comparamos as inscrições, o valor agregado pode ser decisivo em alguns casos", diz.
Prolixidade e falta de atenção às perguntas também eliminam candidatos. "Brasileiros costumam ser verborrágicos, especialmente nas entrevistas", diz Carolina. "E se eu pergunto quais os planos de carreira, não quero que usem 80% do tempo para responder o que já fizeram na vida."
No Brasil, o superintendente de educação continuada da FGV, Paulo Lemos, afirma que um dos maiores erros está na "pressa" em fazer um MBA. "Nossos programas executivos, como o nome diz, são voltados para executivos", brinca. "Exigimos no mínimo quatro anos de experiência relevante. Se a pessoa não tem, o curso não serve para ele." Por causa das exigências de mercado, muitos jovens buscam a FGV logo após terminarem a graduação. "Em vez de queimar etapas, eles vão é se queimar. Indicamos que façam uma pós-graduação em administração de empresas e depois busquem o MBA." Ele sugere que a pessoa avalie se o curso se encaixa no plano de carreira - e não apenas para "encher currículo". "No Brasil ou no exterior, uma pessoa não deve investir tanto tempo e dinheiro em um curso que não servirá para ela."
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