Compras públicas e setor de construção civil fazem diferença
Até 2050, calcula-se que 90% da população mundial estará em centros urbanos. Segundo o Conselho Internacional para Iniciativas Ambientais Locais (Iclei), o poder de compra do Estado pode ser motor de transformações nas cidades. "No Brasil, as compras públicas representam 15% do PIB", diz a coordenadora de projetos Gabriela Alem Appugliese.
"Lançamos uma campanha global, o Procura+, que já conta com dez países da UE. As compras governamentais podem e devem servir de incentivo à produção sustentável."
São Paulo e Minas já possuem normativas sobre o uso de madeira nativa na construção civil. São Paulo tem até um catálogo socioambiental, com fornecedores ambiental e socialmente corretos. A capital paulista também tem instrução sobre uso de madeira, além de compra de papel.
Em nível nacional, uma instrução normativa de 2010 dispõe sobre os critérios de sustentabilidade ambiental na aquisição de bens, contratação de serviços ou obras pela administração pública federal.
"Embora as licitações no Brasil, tradicionalmente, levem em conta principalmente o preço, já há um arcabouço legal constituído que permite que o comprador faça opções mais sustentáveis", diz Gabriela.
De acordo com a metodologia desenvolvida pelo Iclei, os governos mapeiam tudo o que consomem e elegem produtos prioritários para iniciar o programa de compras sustentáveis. Variáveis como o volume comprado e os impactos ambientais causados são levadas em conta na hora da escolha. / K. N.
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