Conselho de Ética absolve Paulinho com votos da base e da oposição
Relatório que ligava pedetista a desvio de recursos no BNDES e sugeria sua cassação foi rejeitado por 10 a 4
O deputado Paulo Pereira da Silva, o Paulinho da Força, foi absolvido ontem pelo Conselho de Ética da Câmara. Com a ajuda da base aliada e dois reforços da oposição, o deputado obteve uma vitória larga: 10 votos pela absolvição e apenas 4 favoráveis ao relatório do deputado Paulo Piau (PMDB-MG), que apontava a participação do pedetista em "esquema fraudulento de desvio de verbas do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social", descoberto durante a Operação Santa Tereza, da Polícia Federal.
Agora, o deputado José Carlos Araújo (PR-BA) fará um novo parecer, pedindo a absolvição do pedetista, que ainda é alvo de dois inquéritos no Supremo Tribunal Federal (STF). Enquanto os deputados analisavam a cassação, Paulinho participava de uma manifestação sindical que reuniu cerca de 20 mil pessoas na Esplanada dos Ministérios.
A manobra para absolver Paulinho com um placar dilatado começou logo pela manhã. "Deram um golpe", acusou Antonio Carlos Biscaia (PT-RJ). Suplente no Conselho de Ética e favorável à cassação de Paulinho, o petista foi informado de que só poderia assinar a lista de presença para votar no início da sessão, marcada para as 13 horas.
Mas, uma hora antes desse prazo, o presidente do colegiado, deputado Sérgio Moraes (PTB-RS), permitiu que outros dois suplentes, os deputados José Carlos Araújo e Marcelo Ortiz (PV-SP), assinassem a lista de presença. Os dois preencheram as vagas destinadas aos suplentes e votaram contra a cassação no lugar dos titulares ausentes.
Uma das surpresas da sessão de ontem foi o voto do tucano Rômulo Gouveia (PB), favorável a Paulinho. Ele votou no lugar de Mendes Thame (PSDB-SP), que viajou para o exterior. O líder do PSDB, José Aníbal (SP), havia determinado que os integrantes do partido votassem pela cassação. "O relatório é inconsistente", argumentou Gouveia. O DEM também ajudou Paulinho, com o voto de Efraim Filho (PB).
O relator nem sequer contou com o apoio de seus colegas de partido - Wladimir Costa (PMDB-PA) votou contra e Antônio Andrade (PMDB-MG), apesar de estar em Brasília, não apareceu na sessão. "Esta é uma casa política, é claro que houve uma dose de corporativismo", disse Piau.
Os petistas Fernando Melo (AC) e Leonardo Monteiro (MG) votaram favoravelmente ao sindicalista. "Estou com a consciência tranqüila", disse Monteiro, defensor de uma "pena alternativa" para o colega. A explicação para a posição do PT seria o acordo fechado no período pré-eleitoral com os partidos do bloquinho (PSB, PDT, PC do B, PMN e PRB). Em troca da absolvição de Paulinho, o bloquinho desistiu de lançar candidatura própria à Prefeitura de São Paulo e apoiou a petista Marta Suplicy.
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