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15 de Abril de 2010

 

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Construção civil vê queda no ritmo de crescimento em junho

Sondagem divulgada ontem pela CNI aponta falta de mão de obra qualificada como um dos motivos para o recuo

31 de julho de 2010 | 0h 00
Eduardo Rodrigues - O Estado de S.Paulo

O ritmo de crescimento da construção civil caiu em junho de acordo com sondagem do setor divulgada ontem pela Confederação Nacional da Indústria (CNI). Mesmo assim, o mercado imobiliário continua em expansão e as perspectivas de novos empreendimentos já acenderam a luz amarela entre o empresariado, pois na avaliação dos executivos da área pode faltar mão de obra qualificada.

Em uma escala onde valores acima de 50 pontos indicam crescimento, o indicador que mede a evolução da atividade no setor em junho ficou em 53,8 pontos, enquanto no mês anterior o índice havia chegado a 55,8 pontos.

Ainda assim, a sondagem mostra que o setor continua aquecido, acima do usual para o período. Na avaliação que compara o nível de atividade com a média esperada para junho, o indicador continuou acima dos 50 pontos de referência, chegando a 54,6 pontos. O número de empregados na construção também apresentou pequeno aumento, com 52,9 pontos.

Na avaliação do gerente-executivo de Pesquisa da CNI, Renato da Fonseca, apesar do arrefecimento do fôlego de crescimento em junho, a expansão contínua do setor desde dezembro demonstra que o mercado imobiliário continua aquecido, enquanto o restante da indústria começa a botar o pé no freio.

"As medidas governamentais de incentivo à produção industrial editadas no auge da crise já foram retiradas e a taxa de juros começou a subir. No entanto, como na área de construção civil as medidas são de mais longo prazo, ainda há estímulo para o setor que, além disso, também conta com sistema de financiamento próprio", avaliou Fonseca.

A pesquisa também revelou que os empresários do setor continuaram mais do que satisfeitos com a margem de lucro operacional no segundo trimestre de 2010. Numa escala na qual valores acima de 50 pontos medem a satisfação do empresariado, o indicador ficou em 52,4 pontos. No primeiro trimestre, a satisfação ficou em 52 pontos.

O mesmo ocorreu em relação à situação financeira das empresas de construção civil, cujo índice foi de 55,1 pontos entre abril e junho de 2010. Nos três primeiros meses deste ano, o índice de satisfação estava em 55,5 pontos.

Por isso, os empresários do setor entrevistados pela CNI mantiveram o otimismo em relação aos meses seguintes. Pela mesma metodologia, o índice que mede as expectativas em relação à atividade registrou 65,2 pontos. Da mesma forma, as perspectivas de novos empreendimentos (66 pontos) e compras de matérias-primas (63,9 pontos) também foram positivas.

Falta qualificação. O otimismo deve se traduzir em contratações, na avaliação da CNI, já que o indicador de número de empregos também ficou acima dos 50 pontos, com 64,5. No entanto, dentre os problemas apontados pelas empresas do setor, a falta de trabalhadores qualificados ocupou o primeiro lugar, citada por 62% dos entrevistados, à frente até mesmo da elevada carga tributária do País, mencionada por 60,9% dos empresários.

Para Fonseca, porém, a escassez de mão de obra qualificada ainda não oferece riscos para a manutenção do crescimento do setor.

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