Consultorias lucram com aumento de prédios ''verdes''
Mercado da construção sustentável já cresce a taxas de 50% ao ano
O crescimento do número de construções sustentáveis no País está impulsionando os negócios de pequenos escritórios de arquitetura e engenharia que prestam consultoria e revendem equipamentos para reúso de água, economia de energia e materiais de construção menos agressivos ao ambiente. Por causa do interesse de grandes empresas, como bancos, supermercados e construtoras, a procura por esses serviços vem crescendo, em média, 50% ao ano.
A Sustentax, empresa de engenharia que até 2005 tinha foco em projetos de eficiência energética, é um exemplo do vigor desse segmento. Desde 2005, vem se especializando em construção verde e atualmente conta com um portfólio de duas dezenas de projetos em execução. A empresa prestou consultoria para a agência do Banco Real em Cotia (SP), primeiro empreendimento a receber o "selo verde" na América Latina, e para a loja que o grupo Pão de Açúcar inaugura hoje, em Indaiatuba (SP). A empresa foi responsável também por dar consultoria a grandes projetos como o edifício Rochaverá, da construtora Tishman Speyer, e o primeiro hospital "verde" do País, da bandeira Unimed.
"Não dá nem para fazer a conta do quanto a demanda cresceu", diz Newton Figueiredo, presidente da Sustentax. "Há dois anos tínhamos apenas um projeto, e hoje são 22", diz. "E nossa expectativa é dobrar esse número até o fim do ano." Além da assessoria em sustentabilidade, a empresa, que possui 40 funcionários, abriu uma unidade só para comercializar equipamentos para construções verdes.
A razão para o aumento da procura, diz Figueiredo, é que os imóveis sustentáveis podem ter um aumento no valor de revenda de até 20%. "Hoje, ainda é cerca de 5% mais caro construir dessa forma, mas o retorno pode ser medido pela diminuição dos custos com condomínio, o que faz com que esse boom seja uma tendência sem volta."
A consultoria e loja Supergreen, no mercado desde 2000, começou vendendo materiais naturais, como carpetes de fibra de bambu. Acabou se especializando em sistemas para reúso de água e economia de energia. "Mudamos o perfil de nosso negócio e começamos a ser rentáveis", diz o engenheiro Airton Dudzevich, sócio da empresa, que cresceu 50% no último ano. A busca por novas tecnologias levou a empresa à China, de onde trouxe um sistema de aquecimento solar a vácuo novo no mercado brasileiro.
O movimento das construções sustentáveis também anima os negócios da Primamatéria, escritório de arquitetura especializado no tema. "De dois anos para cá, a procura cresceu 50%. A construção sustentável está deixando de ser moda para se tornar uma necessidade", diz Leticia Achcar, sócia do escritório.
Há hoje no País 60 empreendimentos em etapa de certificação para obter o "selo verde" para construções que seguem princípios de sustentabilidade, conhecido por Leed (sigla para Liderança em Energia e Design Ambiental). Há um ano, não chegavam a dez, afirma Nelson Kawakami, diretor-executivo do Green Building Council Brasil, subsidiária da entidade que fornece os parâmetros para construção sustentável, com sede nos EUA.
OS PILARES DA CONSTRUÇÃO SUSTENTÁVEL
Eficiência energética: empreendimentos devem ter baixo consumo de energia, com automação, lâmpadas econômicas, iluminação natural e fontes renováveis
Água: podem ser usados sistemas de reúso da água da chuva
Materiais: atenção para madeira de reflorestamento, tubulações de plástico reciclado, fibras naturais e materiais de demolição
Qualidade do ar: monitoramento da qualidade interna do ar, em especial do ar-condicionado
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