Contrariado em indicação, Maia breca votação de fundo
O presidente da Câmara, Marco Maia (PT-RS), entrou ontem em rota de colisão com o Palácio do Planalto. O parlamentar queria o direito de escolher e indicar um nome de sua confiança para a cúpula do Banco do Brasil. Apesar das promessas, o governo voltou atrás e não lhe conferiu essa atribuição.
Sem a nomeação, o petista encerrou abruptamente ontem a sessão da Câmara e não pôs em votação o projeto que cria o Fundo de Previdência Complementar dos Servidores Públicos Federais (Funpresp). A previsão é que a proposta seja votada apenas na próxima terça-feira.
Maia ficou particularmente irritado com a contraproposta feita pelo governo de incluir na sua cota um cargo no BB de Angola. Aliados confidenciaram que Maia teria considerado a proposta "uma ofensa". Numa conversa áspera pelo telefone com a ministra de Relações Institucionais, Ideli Salvatti, ele expressou seu descontentamento. Aborrecido, Maia desligou o telefone na cara da ministra.
Além do cargo na instituição, o presidente da Câmara também estaria empenhado em conseguir nomear para uma posição na área da saúde um indicado do ex-líder do PT na Câmara Paulo Teixeira (SP).
A presidente Dilma Rousseff estava decidida a fazer um teste ontem na sua base de apoio na Câmara na votação do projeto que cria o fundo complementar para os servidores. Por isso, havia determinado a aprovação da proposta. O projeto, no entanto, enfrenta resistências dos aliados e, segundo líderes partidários, a presidente avisou que queria saber "quem realmente está com o governo". O recado do Planalto foi dado pelo líder do governo na Câmara, Cândido Vaccarezza (PT-SP).
Com o fim da sessão e sem nenhuma votação, Vaccarezza foi chamado às pressas ao Planalto para explicar o que aconteceu. Em dezembro, o Funpresp também não foi votado porque Maia preferiu adiar a análise da proposta para fevereiro. Depois da recusa do governo em indicar um nome de sua confiança, Maia não fez nenhum esforço para que a proposta fosse votada.
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