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Convênios suspensos somam R$ 2,3 bilhões

01 de novembro de 2011 | 3h 04
MARTA SALOMON , EDUARDO BRESCIANI/ BRASÍLIA - O Estado de S.Paulo

A suspensão de pagamentos de convênios com entidades privadas sem fins lucrativos por 30 dias, determinada ontem por decreto da presidente Dilma Rousseff, alcançará contratos de R$ 2,3 bilhões. O número foi calculado pelo Ministério do Planejamento, que administra o sistema de registro de convênios celebrados pela União, o Siconv. Até 30 de novembro, os ministérios terão de analisar 2.670 convênios celebrados com ONGs e demais entidades sem fins lucrativos. A análise dos convênios exigirá a formação de uma "força tarefa" no governo, informou ontem o ministro Jorge Hage, da Controladoria Geral da União (CGU).

Só terão o dinheiro desbloqueado nesse período os convênios que forem considerados regulares, com base em parecer técnico e o aval do ministro responsável pela contratação.

O Planejamento já excluiu do cálculo os convênios que estão a salvo do bloqueio: aqueles que tratam de proteção a pessoas ameaçadas, os celebrados com entidades que recebem dinheiro da União há pelo menos cinco anos, sem problemas nas prestações de contas, e os contratos de parceria referentes ao Sistema Único de Saúde (SUS).

Os convênios que não forem considerados regulares terão até 60 dias para se adequarem antes de serem cobrados a devolver o dinheiro já repassado e ficarem impedidos de celebrar novos convênios da União.

O Ministério do Planejamento não soube informar quanto os contratos submetidos à devassa já receberam dos cofres públicos. Neste ano, as entidades privadas sem fins lucrativos já receberam R$ 2,2 bilhões dos cofres públicos.

O decreto da presidente é uma resposta às denúncias de irregularidades envolvendo a contratação de entidades, sobretudo nos ministérios do Esporte e do Turismo, e que levaram à demissão dos dois titulares. O ministro Jorge Hage disse ontem que a intenção do governo é distinguir ONGs "sérias e qualificadas" das entidades "fantasmas". "Tem uma infinidade de instituições em experiência e sem condições, disse o ministro, que participou da elaboração do decreto publicado na edição de ontem do Diário Oficial.

Questionado se há pessoal suficiente para fiscalizar todos os convênios em 30 dias, Hage afirmou que o trabalho terá uma força-tarefa. "Vamos reunir pessoal de diferentes ministérios nessa força tarefa".

Embora o prazo máximo para a análise das prestações de contas seja de três meses, o Ministério do Trabalho tem um estoque de 500 prestações em atraso, aponta uma auditoria recentemente concluída pelo TCU.



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