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''''Copiar o que é bom só faz bem''''

O diretor da Record, Alexandre Raposo, fala do novo canal de notícias, o Record News, e do exemplo que dá à Globo

31 de dezembro de 1969 | 21h 00
Leila Reis, leilareis@terra.com.br - O Estadao de S.Paulo

Mês que vem, entra no ar o canal de notícias Record News no lugar da Rede Mulher (UHF 42) para utilizar melhor todo o material produzido pelo jornalismo da emissora, diz Alexandre Raposo, de 36 anos, presidente da Rede Record. Nesta entrevista exclusiva, Raposo conta que a rede tem 5 mil funcionários, pretende continuar buscando afiliadas da concorrência para ampliar sua área de cobertura (a última foi a TV A Crítica, de Manaus, do SBT) e como conseguiu vencer a Globo na disputa pelos direitos e transmissão das Olimpíadas de Londres (2012). ''''Oferecemos mais visibilidade ao evento'''', diz. E que chegou a vez de a Globo copiá-los: ''''Fizemos novela na favela e agora eles vão construir favela cenográfica.''''

Notícia traz dinheiro?

Traz, sim. Por isso hoje ela tem grande participação no faturamento da Record. O jornalismo é responsável por 35% da receita, as novelas trazem 35% e os programas de entretenimento, 30%. O investimento em informação - nesse quesito incluo programas que não são de jornalismo mas que lidam com ela (Hoje em Dia e Tudo a Ver), é o grande responsável pelo crescimento da audiência da Record.

Como é que a inauguração da Record News se encaixa na estratégia da emissora?

O nosso jornalismo trabalha muito e não temos grade para exibir tudo o que ele produz. Como temos muito conteúdo, fizemos a parceria com a Rede Mulher para oferecer 24 horas de notícias. É uma maneira de fortalecer a marca Record e também de atingir um público qualificado em UHF.

A Record acaba de tomar a TV A Crítica, de Manaus, do SBT. Quantas afiliadas vocês tiraram do SBT?

Foram três no último ano: Recife, Maceió e Amazonas. Mais importante do que a expansão da rede, que cobre hoje 98% do território nacional, é a possibilidade de melhoria do sinal com a subida de satélite. Com a TV A Crítica, vamos chegar a 90% do Estado do Amazonas a partir de 1º de setembro.

Como é que acontece a negociação com as afiliadas?

Entendemos que mesmo sendo uma rede nacional, a emissora tem de dar a oportunidade para as pessoas se verem na TV. Por isso, ao fazer o contrato, exigimos que a afiliada se comprometa a produzir pelo menos quatro horas de programação local, sendo a metade dedicada ao jornalismo. A programação local da Globo na praças é muito pequena, portanto, nosso diferencial é esse.

Qual foi o investimento da Record nos últimos dois anos?

Contando infra-estrutura, equipamentos e contratações foram US$ 300 milhões.

Como o senhor encara a acusação de copiar a Globo?

Focamos no que de melhor existia no Brasil. E fomos além, porque agora é a Globo que está nos copiando. Nós fizemos Vidas Opostas na favela e soube agora que a Globo vai construir uma favela cenográfica para uma novela. Copiar o que é bom faz bem.

Qual é o faturamento da rede?

Este ano será de US$ 1,3 bilhão, 30% maior que o do ano passado.

O senhor poderia dizer qual é a chave para a conquista de audiência?

Sei que conquistamos a vice-liderança com a estabilidade na grade de programação: há três anos que o telespectador sabe o que vai encontrar em cada horário. Além, claro, de termos construído uma programação com conteúdo.

Esse poderia ser o motivo de o Cidade Alerta ter saído do vídeo?

Foi para melhorar o conteúdo da programação. Mudamos o programa, mas o público não percebeu. Como a imagem de sensacionalista, de violento não se descolou do programa, o Cidade Alerta deu lugar à novela Escrava Isaura. A orientação agora é trabalhar matérias policiais no jornalismo em outro tom: em forma de prestação de serviço e com responsabilidade.

O que fez a Record para vencer a Globo na disputa pelos direitos das Olimpíadas de 2012?

Claro que propusemos mais dinheiro do que a Globo, mas o que decidiu foi o projeto. Eles estavam insatisfeitos com o aproveitamento dado pela Globo ao evento e nossa proposta ofereceu uma visibilidade muito maior (incluindo a Record News) para as competições, além do apoio dos programas. Vamos dar um número maior de horas de cobertura para os jogos de Londres e também vamos cobrir as Olimpíadas de Inverno em Vancouver, Canadá, em 2010.

Vocês vão negociar esses direitos com outras emissoras?

Vamos buscar parceiros, mas jamais vamos vender para a Globo. Ela nos vendeu os direitos da Copa do Mundo? A exclusividade é uma questão de concorrência.

Por que razão a Record fez sua central de produção de novelas no Rio e não em São Paulo?

Os estúdios do Renato Aragão já estavam quase prontos e tinham capacidade para crescer, como aconteceu. Hoje temos capacidade de produzir três novelas simultaneamente. Além disso, os artistas moram no Rio de Janeiro. E mais fácil para os atores de São Paulo viajar ao Rio para gravar do que o contrário.

Onde a Record internacional tem mais audiência?

A Record internacional está em 130 países. Em Portugal, somos líderes e na Inglaterra somos vistos por 8 milhões de pessoas. Mas nossas novelas foram vendidas para outras emissoras de 30 países.

O que o senhor considera programa bom e programa ruim?

Bom é aquele que traz alegria, informa e faz pensar. Ruins são os que expõem a vida das pessoas de forma sensacionalista.

Como fazia o Cidade Alerta?

Na fase antiga, porque nós mudamos o programa, mas as pessoas não perceberam.

O senhor pode dar exemplos?

O programa Hoje em Dia é um bom programa, porque mistura informação e entretenimento. Ruim é o Linha Direta, que expõe a dor de famílias, quase sempre humildes, fazendo de conta que está à procura de solução para os crimes.

Aonde a Record quer chegar?

À casa das pessoas com um padrão de qualidade que o Brasil reconheça e nos dê o primeiro lugar.