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Cortejado, agronegócio analisa cenário para 2014

Maioria do setor tende a apoiar a oposição nas eleições presidenciais; Dilma se apega à neoaliada Kátia Abreu

08 de dezembro de 2013 | 2h 12
Pedro Venceslau - O Estado de S.Paulo

Responsável por 23% do Produto Interno Bruto nacional, um terço dos empregos e 37% das exportações, segundo dados oficiais, o agronegócio ensaia, com o apoio da maioria de seus líderes, protagonizar uma campanha contrária à reeleição da presidente Dilma Rousseff no ano que vem.

O setor condena a petista por "esvaziar" o Ministério da Agricultura e "abandonar" o programa de etanol. A petista, de seu lado, tenta se apegar ao simbolismo do apoio da senadora Kátia Abreu (TO), presidente da poderosa Confederação Nacional da Agricultura (CNA) e recém-convertida ao governismo do PMDB.

O Estado conversou na semana passada com os principais dirigentes do agronegócio brasileiro a fim de medir o ânimo do setor para a campanha presidencial de 2014.

Os principais dirigentes sinalizam que apoiarão um candidato da oposição. Apesar de elogiarem os esforços de aproximação do governador de Pernambuco, Eduardo Campos (PSB), não digerem a aliança dele com a ex-ministra do Meio Ambiente Marina Silva. Com isso, o mais provável é que o senador mineiro Aécio Neves, nome do PSDB à Presidência, herde o apoio da maioria dos ruralistas.

Nas últimas semanas, os dois prováveis candidatos de oposição protagonizaram uma disputa pelo apoio de líderes do setor. Ouviram muitas queixas.

Os produtores de cana reclamam, por exemplo, que o etanol paga mais impostos que a gasolina, que tem seu preço mantido artificialmente muito abaixo do mercado internacional. "Existem duas questões muito sensíveis em relação a Dilma. Uma é o descalabro da política de agroenergia, que é algo incompreensível. Isso gera uma crítica duríssima de um setor importante e que afeta muito o Estado de São Paulo. A outra é o Ministério da Agricultura, que se transformou em uma moeda de troca de caráter político-eleitoral", diz o ex-ministro Roberto Rodrigues, titular da Agricultura no governo Lula.

Geografia. Além da resistência a Marina, Aécio leva vantagem nesse movimento por ter governado Minas Gerais, um Estado forte na produção agrícola, e contar com interlocutores influentes no setor. Entre eles estão Alyisson Paulineli, ministro da Agricultura no governo Ernesto Geisel, e Pedro Partente, presidente do Conselho Deliberativo da União da Indústria de Cana-de-Açúcar (Unica) e ex-chefe da Casa Civil no governo de Fernando Henrique Cardoso. O próprio Roberto Rodrigues, que atuou no governo Lula, está hoje inclinado a apoiar publicamente o nome do tucano na campanha do ano que vem.

"Já me reuni com o Campos e ouvi que ele seria o interlocutor para quebrar o gelo com a Marina. Mas o setor tem ojeriza por ela. A ex-ministra fez um grande desserviço ao País", afirma Glauber Silveira, presidente da Associação Brasileira dos Produtores de Soja (Aprosoja). Apesar de dizer que ainda "não tomou posição", ele faz duras críticas a gestão Dilma. "O segundo escalão do governo está impregnado com pessoas que têm ideologias que atravancam o processo. Muitas obras não saem do papel porque têm não licença ambiental" , afirma Silveira.

"O José Serra ganhou nos principais Estados agrícolas brasileiros em 2010. O apoio a oposição tende a se repetir em 2014. Nosso grande objetivo é provocar o segundo turno", afirma Cesario Ramalho, presidente da Sociedade Rural Brasileira (SRB), entidade de congrega vários segmentos do agronegócio.

Luiz Claudio Paranhos, presidente Associação Brasileira dos Criadores de Boi Zebu, diz que a aproximação com Aécio é "natural". " A influência de Marina em um eventual governo Eduardo Campos preocupa o setor".

Joesley Batista, do Grupo JBS, ainda se mostra disposto a abrir as portas para a candidatura de Campos. "O Eduardo (Campos) tem ideias próprias. A gente não vê o posicionamento da Marina sendo transmitidos a ele".

Defensora. Kátia Abreu tenta acertar o discurso para adaptar a ideologia do setor, tradicionalmente conservador, à sua candidata. "Não sentimos que a presidente seja aquela petista tradicional. Existe uma independência da Dilma em relação às questões partidárias. Sabemos que o PT não gosta dela", diz.

Cotado para ser candidato a vice-governador em São Paulo na chapa do ministro da Saúde petista, Alexandre Padilha, o empresário do setor sucroalcooleiro Maurílio Biagi reconhece que aproximação com Dilma não será fácil. "O descaso com o setor da cana é contundente. Nesse quesito, o governo de São Paulo foi mais parceiro que o governo federal", afirma.

"Pergunta para esses que se dizem líderes do agronegócio se eles conhecem o PSI (linha de crédito que financia a compra de peças e equipamentos usados na produção). Nunca se equipou tanto a produção no Brasil", afirma Kátia Abreu. A senadora relativiza a influência de Aécio e Campos. "No caso de Campos, a questão é grave. Marina não se aliou com ele para brincar. Já o Aécio não tem ligação com os produtores rurais. Ele praticamente vive no Rio de Janeiro", afirma.






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