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Crianças menores de 2 anos vão receber vacina contra meningite

Doses estarão disponíveis a partir de agosto; em março, a rede pública também oferecerá a pneumocócica

04 de fevereiro de 2010 | 0h 00
Karina Toledo - O Estadao de S.Paulo


O calendário de vacinação da rede pública passa a oferecer este ano, para crianças menores de 2 anos, duas novas vacinas contra os tipos mais comuns de meningite, pneumonia e outras doenças bacterianas. Com isso, estarão disponíveis no SUS 13 tipos de vacinas contra 19 doenças.

A partir de março, os postos terão doses da pneumocócica 10-valente, que protege contra os dez principais sorotipos da bactéria pneumococo. Além de ser a principal causa de pneumonias em todas as idades, o pneumococo é a segunda maior causa de meningite bacteriana no País. É ainda um agente causador de sinusite, otite e bacteremia (infecção no sangue).

O calendário exato ainda será definido na rede pública, mas o que as sociedades médicas recomendam é a aplicação de três doses - no segundo, quarto e sexto mês de vida - mais o reforço aos 15 meses.

A vacina antimeningococo C, que protege contra a forma mais comum de meningite bacteriana, será oferecida a partir de agosto. Serão duas doses, possivelmente no terceiro e no quinto mês de vida, mais o reforço por volta do 15º mês.

Neste ano, haverá esquema especial para crianças de 1 a 2 anos ainda não vacinadas. A partir de 2011, elas passam a integrar o calendário específico para menores de 1 ano. De acordo com o diretor da Sociedade Brasileira de Imunizações Renato Kfouri, não há, a princípio, contraindicações para as vacinas. "O que recomendamos é que, caso a criança tenha reação alérgica após a primeira dose, não se aplique as seguintes."

O investimento federal em 2010 será de R$ 552 milhões na compra de 13 milhões de doses da pneumocócica e 8 milhões de doses da meningocócica - o suficiente para imunizar 6 milhões de crianças. Até agora, essas vacinas só estavam disponíveis em clínicas particulares, a um custo médio de R$ 1,5 mil por todas as doses.

O diretor de Vigilância Epidemiológica da Secretaria de Vigilância em Saúde do ministério, Eduardo Hage, diz que as vacinas serão adquiridas por laboratórios nacionais e repassadas ao governo para distribuição. Haverá transferência de tecnologia. "A pneumocócica será comprada do Laboratório Bio-Manguinhos, da Fiocruz, graças a um acordo com o laboratório Glaxo Smith Kline. A meningocócica será adquirida da Fundação Ezequiel Dias, graças ao acordo com a Novartis."

"São vacinas que previnem doenças de alta mortalidade", diz Marco Aurélio Safadi, da Sociedade Brasileira de Pediatria. "O meningococo C responde por cerca de 70% dos casos de meningite bacteriana. São cerca de 2,5 mil notificações por ano e 20% dos doentes morrem." A pneumocócica abrange os sorotipos responsáveis por 80% dos casos graves de doenças causadas pelo pneumococo. A estimativa do ministério é que a imunização evite 45 mil internações anuais por pneumonia.


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