Crise derruba confiança na AL, mostra estudo da FGV
Sondagem feita em parceria com instituto alemão vê países em ''recessão''
A crise global derrubou o clima econômico latino-americano, que experimenta agora o pior cenário dos últimos 19 anos, com oito dos 11 países da região começando o ano de 2009 em recessão - incluindo o Brasil. É o que mostra a Sondagem Econômica da América Latina, feita em parceria pela organização alemã Institute for Economic Research at the University of Munich, ou Instituto IFO, e a Fundação Getúlio Vargas (FGV).
Para a sondagem, feita trimestralmente, foram entrevistados 137 especialistas em 16 países, entre economistas, analistas do mercado financeiro e consultores. O indicador usa escala de um a nove pontos para avaliação da economia.
Resultados abaixo de cinco apontam "clima ruim" e a economia brasileira ficou no limite disso, na média dos últimos quatro trimestres, na pesquisa encerrada em janeiro: 5,2. No período anterior, terminado em outubro de 2008, a média do País havia ficado em 5,8.
O coordenador do Núcleo de Pesquisas e Análises Econômicas da FGV, Aloisio Campelo, apresentou os dados da pesquisa ontem, e explicou que, em janeiro deste ano, houve piora nas expectativas dos países latino-americanos com relação ao futuro da economia.
O Brasil apresentou um Índice de Clima Econômico (ICE) de 3,9 pontos em janeiro, com 4,7 pontos para o Índice de Situação Atual (ISA); e 3,1 pontos para o Índice de Expectativas (IE). "A FGV não está dizendo que o País está em recessão. O que estou dizendo é que, pelos critérios da pesquisa, uma nação que tem IE e ISA abaixo de cinco pontos é classificada como em recessão, e o Brasil está entre elas", ressaltou.
O ICE da América Latina subiu apenas 2,9 pontos em janeiro, a menor taxa da série histórica iniciada em janeiro de 1990, e inferior ao desempenho de 3,4 pontos de outubro do ano passado. A piora na percepção do ambiente econômico bateu o recorde de baixa do ICE. O menor resultado anterior era o de outubro de 1998, quando o índice registrou 3,3 pontos, sob o impacto da crise russa.
Construído a partir da combinação dos dois subindicadores, que medem a situação econômica atual e as expectativas para os próximos seis meses, o ICE teve resultados ruins nos dois quesitos na América Latina.
O Índice da Situação Atual (ISA) avançou 3,4 pontos em janeiro, o menor desempenho desde outubro de 2002. Já o Índice de Expectativas (IE) caiu para 2,3 pontos em janeiro; em outubro havia sido de 2,5 pontos. A pontuação de janeiro representa o menor nível apurado para este índice na série histórica.
"As expectativas dos países da América Latina para 2009 estão piores, mesmo", disse Campelo. Entretanto, ele destacou que o ICE da região em janeiro ainda está levemente acima do resultado do clima da economia global, que ficou em 2,8 pontos. Para o economista, pode ser que esteja ocorrendo "defasagem", na América Latina, do impacto da crise global.
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