Crise faz Obama rever promessas eleitorais
Democrata diz que por causa da crise financeira precisa refazer os cálculos e admite que alguns programas de governo serão prejudicados
O senador Barack Obama, candidato democrata à Casa Branca, disse ontem que a crise no sistema financeiro americano e o plano de US$ 700 bilhões proposto pelo governo para resgatar a economia farão com que ele reveja várias promessas de campanha e atrase a implementação de vários projetos, como os gastos para criar um sistema de saúde universal, as verbas para educação e os projetos no setor energético.
"Não sabemos quanto sobrará desses US$ 700 bilhões, por isso teremos de analisar novamente a arrecadação tributária do país antes de estruturar nosso orçamento", disse Obama em entrevista à rede de TV NBC. "Isso significa que eu não poderei fazer tudo aquilo que estou prometendo na campanha. Pelo menos não imediatamente."
O projeto mais prejudicado, segundo fontes da campanha democrata, será o programa nacional de saúde pública, para o qual a campanha de Obama havia originalmente reservado cerca de US$ 65 bilhões. Semana passada, no auge da crise, Obama já havia reconhecido que seus assessores não tinham dados macroeconômicos suficientes para que ele elaborasse um plano detalhado para sanear a economia americana.
A atitude comedida foi atacada pelo candidato republicano, John McCain, que acusou o democrata de não se posicionar diante da crise. McCain, no entanto, também não apresentou nenhum plano econômico objetivo e até agora se limitou a pedir a cabeça do presidente da Comissão de Valores Imobiliários dos EUA, Christopher Cox, o que lhe rendeu críticas até entre os aliados republicanos.
O pacote proposto pelo presidente dos EUA, George W. Bush, pede ao Congresso quase o mesmo valor gasto pelos EUA nas guerras do Iraque e do Afeganistão desde 2001 - US$ 800 bilhões. Juntos, o resgate financeiro e as duas guerras aumentariam em US$ 1,5 trilhão a dívida pública americana, que chegaria a US$ 11,3 trilhões.
Tanto Obama quanto McCain colocaram restrições ao plano, pedindo uma maior fiscalização do dinheiro liberado. O voto de ambos os senadores para a aprovação da verba, no entanto, ainda é uma incógnita. Apesar das ressalvas, nenhum dos candidatos quer ficar marcado pelo fato de ter impedido a ação do governo contra a crise. Ao mesmo tempo, o apoio ao projeto é extremamente impopular e ambas as campanhas não descartam a possibilidade de os candidatos se ausentarem no dia da votação no Senado.
CONTRA A CRISE
Obama: Quer controlar a influência dos lobistas, fortalecer as agências reguladoras e tornar o governo mais transparente
McCain: Propôs a criação de comissão para supervisionar o pacote de ajuda a Wall Street
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