Crise já custou mais de US$ 10 tri
Segundo o FMI, algumas economias se preparam para enfrentar a pior dívida pública desde a 2.ª Guerra Mundial
A crise global custou mais de US$ 10 trilhões aos governos, e algumas economias se preparam para enfrentar a pior dívida pública desde a 2ª Guerra Mundial. Os dados são do Fundo Monetário Internacional (FMI). Segundo o FMI, os gastos dos países ricos foram de US$ 9,2 trilhões para salvar bancos e dar liquidez ao mercado financeiro. Nos países emergentes, inclusive o Brasil, chegaram a US$ 1,6 trilhão.
O valor dos gastos com os bancos equivale a oito "brasis". Ou seja, quase oito vezes o Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro, de US$ 1,5 trilhão. Os gastos com os bancos são ainda equivalentes aos PIBs do Japão e da China juntos, ou um sexto do PIB global, de cerca de US$ 60,6 trilhões segundo o FMI.
Há um mês, o Banco de Compensações Internacionais (BIS) publicou uma dura crítica aos pacotes de ajuda, alertando que, enquanto os bancos não limparem seus ativos podres, o crescimento da economia mundial não voltará a ocorrer e a injeção de dinheiro não terá resultado. Do total, quase US$ 2 trilhões já foram distribuídos. O restante são garantias e empréstimos com juros bem abaixo do mercado. Em injeção de capital, foi US$ 1,1 trilhão, ante US$ 4,6 trilhões em garantias.
O FMI e analistas acreditam que os governos conseguirão recuperar parte desse dinheiro na próxima década. O problema é que a dívida explodirá até lá e, segundo o Fundo, os países ricos deverão atingir um déficit em seu orçamento de 10,2% de seus PIBs ao fim do ano.
Para muitos países, será o maior déficit desde o fim da 2ª Guerra. Nos Estados Unidos, será de 13,5%, ante 11,6% no Reino Unido e 10,3% no Japão. Já para 2010, a projeção aponta que os ingleses terão o maior déficit entre as principais economias, com 13,3%, ante 9,7% nos EUA.
Além de ter de emprestar e salvar bancos, governos viram a arrecadação despencar diante da queda da produção e do consumo. Por isso, o FMI acredita que a crise terá efeitos de longo prazo. Em 2014, as dívidas do governo do Japão somarão 239% do PIB. No caso da Itália, será de 132% do PIB e nos Estados Unidos, de 112%.
Apesar dos gastos, a Europa vive uma situação crítica. Sentados sobre trilhões de dólares, os bancos resistem em voltar a emprestar. Dados do Banco Central Europeu (BCE) apontam que o crescimento dos empréstimos foi mínimo em junho, mesmo com o apoio dos governos para destravar o mercado. Segundo o BCE, o aumento dos empréstimos foi de apenas 1,5% ante mesmo período de 2008.
Ainda sem uma noção clara do tamanho dos ativos tóxicos, os bancos continuam hesitando em emprestar na Europa, adiando a recuperação da economia da região, uma das mais afetadas pela crise. Em junho, o BCE injetou 442 bilhões nos bancos privados para que pudessem manter a liquidez no sistema. Enquanto isso, há uma semana, o Banco de Compensações Internacionais revelou que, em 12 meses, os créditos e empréstimos de bancos foram reduzidos em US$ 6 trilhões em todo o mundo.
Ainda assim, vários bancos começam a obter lucros. O lucro do Credit Suisse cresceu 31% no segundo trimestre de 2009. O mesmo padrão foi revelado pelo JP Morgan & Chase. O Bank of America e o Citigroup já apresentaram na semana passada lucros de US$ 10,2 bilhões no segundo trimestre. Goldman Sachs também teve um trimestre com lucros recordes, assim como o Deutsche Bank.
Já os pacotes de estímulo ao crescimento ainda vão consumir 2% do PIB dos países do G-20 em 2009 e 1,6% em 2010. Dados da Comissão Europeia mostram que, sem esses pacotes, o desemprego teria sido ainda maior. O FMI estima que os pacotes vão estimular as economias do G-20 entre 1,2% e 4,7% neste ano.
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