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Cristina inaugura obras em todo o país

Presidente viola lei eleitoral e corre a Argentina às vésperas da votação

24 de junho de 2009 | 0h 00
Ariel Palacios - O Estadao de S.Paulo

Na reta final da campanha para as eleições parlamentares de domingo, a presidente Cristina Kirchner está realizando um festival de inaugurações de obras públicas e de empresas privadas. Nos últimos dias, ela atravessou a Argentina para reinaugurar um hotel reciclado do sindicato dos ferroviários, a ampliação de uma fábrica de tapetes e novas refinaria de petróleo, entre outras obras. No entanto, essas atividades estão proibidas pelo Código Eleitoral argentino, que estipula que a presidente e os ministros (e também funcionários públicos de menor hierarquia) estão proibidos de participar desse tipo de evento público que possa promover a captação de votos.

Ontem, em meio à apertada agenda, Cristina infringiu a lei novamente ao comandar a inauguração de uma nova turbina a gás na central de geração elétrica da Petrobrás na cidade de Marcos Paz, na Província de Buenos Aires. Com esta nova turbina, de 165 megawatts - cujo investimento foi de US$ 80 milhões - a central da Petrobrás terá potência de 660 megawatts.

A presidente e seus ministros estão em plena atividade eleitoral nesta semana. O governo está tentando, desesperadamente, conquistar o voto dos indecisos (ao redor de 15%, segundo analistas). Diversas pesquisas indicam que o governo de Cristina poderia sofrer uma derrota eleitoral que o levaria a perder a hegemonia que possui no Congresso Nacional.

Para tentar evitar a primeira derrota nas urnas na carreira política do casal Kirchner, o marido de Cristina, o ex-presidente Néstor Kirchner, encabeça a lista de candidatos governistas a deputado federal na Província de Buenos Aires.

A província conta com 38,9% do total do eleitorado argentino. Por esse motivo, a maior parte das inaugurações de obras está ocorrendo lá.

EMPRESÁRIOS

Enquanto a data das eleições aproxima-se, a irritação dos empresários com o governo Cristina aumenta. O presidente da União Industrial Argentina (UIA), Héctor Méndez, alertou: "A crise na Argentina é mais política do que econômica." Segundo Méndez, a campanha eleitoral "está levando tudo a uma situação de tensão máxima, em vez de levar as coisas com serenidade".

O empresariado, assustado com as recentes estatizações de empresas argentinas realizadas pelo governo do presidente venezuelano, Hugo Chávez - amigos dos Kirchners -, quer saber qual será a posição que o governo argentino tomará em suas relações internacionais a partir das eleições. Até o momento, os Kirchners não criticaram as estatizações das empresas argentinas feitas pelo presidente venezuelano.

SEM MARADONA

No fim de semana, a presidente inaugurou na Cidade de Ezeiza, na Grande Buenos Aires, um complexo esportivo que leva o nome de Maradona, em homenagem ao ex-astro do futebol e atual técnico da seleção argentina, Diego Armando Maradona. Cristina esperava a presença do técnico. Mas Maradona não foi à inauguração, pois no mesmo dia era o batizado de seu primeiro neto.

Segundo rumores, Maradona teria tido tempo de participar do evento, mas optou por não complicar sua abalada imagem (a seleção argentina sofreu duras derrotas recentemente) aparecendo ao lado de Cristina, que tem elevada rejeição popular.