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CVM multa ex-presidente da Brasil Telecom em R$ 300 mil

Condenação envolve agências ligadas ao Mensalão

29 de dezembro de 2009 | 0h 00
Mônica Ciarelli, RIO - O Estadao de S.Paulo

A Comissão de Valores Mobiliários (CVM) multou em R$ 300 mil a ex-presidente da Brasil Telecom, Carla Cico, em inquérito que apurou a contratação pela companhia de serviços publicitários prestados por duas agências envolvidas no escândalo do mensalão. Além da executiva italiana, a autarquia também multou em R$ 100 mil o diretor financeiro da BrT, Paulo Pedrão Rio Branco.

Para a CVM, os executivos faltaram com dever de diligência e cuidado ao ignorar as regras de controle interno na hora de contratar e autorizar o pagamento às agências SMP&B e DNA, do publicitário Marcos Valério, acusado pelo Ministério Público de ser operador de um esquema de repasse de dinheiro para políticos entre 2003 e 2004.

Carla Cico ocupou a presidência da BrT entre 2001 e 2005, quando o comando da operadora deixou as mãos do grupo Opportunity, após uma longa disputa com fundos de pensão liderados pela Previ. Naquela época, representantes das fundações assumiram o controle e indicaram Ricardo Knoepfelmacher para a vaga da executiva.

Nome ligado ao banqueiro Daniel Dantas, do grupo Opportunity, Cico chegou a ser indiciada pela Polícia Federal em inquérito originado da Operação Satiagraha, que apura crimes de lavagem de dinheiro, gestão fraudulenta de instituição financeira, evasão de divisas e crime de formação de quadrilha e organização criminosa.

No inquérito, a PF acusa Carla de gestão fraudulenta ao permitir o uso da empresa no repasse de recursos às empresas de publicidade de Marcos Valério e também por manter funcionários do Opportunity na folha de pagamento da BrT e utilizar dinheiro da empresa na compra de aviões usados pelo grupo de Dantas por meio de consórcio.

PARANAPANEMA

A CVM também multou em R$ 796,4 mil Sílvio Tini de Araújo, membro do conselho de administração da Paranapanema, por operações irregulares com ações do grupo dias antes das divulgações de dados financeiros entre 2002 e 2003. A multa corresponde a 10% do valor total das operações irregulares. Foi aplicada ainda uma multa de R$ 300 mil ao banco Hyposwiss, por embaraço à fiscalização, ao se recusar a prestar esclarecimentos sobre negócios com ações da Paranapanema.