De computadores à casa própria
A cadeia do consumo está bem clara na vida do microempresário Renato Coroker, de 40 anos, que vende e recicla produtos de informática na capital paulista. Com dinheiro na mão e crédito, os clientes apareceram com mais facilidade na loja. Levaram equipamentos novos e usados e garantiram a Coroker e a mulher, Fernanda Graciola, de 39 anos, um novo apartamento.
No ano passado, eles compraram o segundo imóvel e reformaram o antigo. Só a reforma custou R$ 30 mil e foi toda paga no cartão de crédito, sem financiamento. "A crise não abalou a autoestima do brasileiro e isso foi fundamental para que a gente continuasse consumindo."
Formado em publicidade e atento às movimentações econômicas no País, Coroker vai além de falar de seus gastos pessoais. Gosta de traçar cenários e identificar tendências enquanto está do outro lado balcão, atendendo os clientes. "As pessoas tentaram reduzir custos, mas não deixaram de comprar", diz. "Logo no início da crise, a procura por equipamentos usados aumentou muito, por exemplo, e acabou compensando o que deixei de vender de aparelhos novos." Esse movimento se deu sobretudo entre clientes corporativos.
Em casa, com a mulher, ele conta que o raciocínio foi o mesmo. No supermercado, trocaram marcas mais caras por outras nem tanto e mantiveram os gastos com as compras do mês. Para 2010, o casal está confiante e faz planos de viajar mais.
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