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15 de Abril de 2010

 

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Déficit comercial antecipará medidas

Saldo negativo de US$ 1,291 bilhão, o pior da série histórica para mês de janeiro, deve acelerar ações do governo para auxiliar exportadores

02 de fevereiro de 2012 | 3h 07
CÉLIA FROUFE / BRASÍLIA - O Estado de S.Paulo

O susto com o déficit da balança comercial de janeiro, o maior para o mês na história, levará o governo a acelerar o anúncio de medidas para incentivar as exportações. "O ano de 2012 será difícil para o comércio exterior brasileiro", reconheceu a secretária de Comércio Exterior do Ministério do Desenvolvimento (MDIC), Tatiana Prazeres.

Até o final de março, devem ser anunciadas ações em diferentes frentes, como ampliação do financiamento para os exportadores, simplificação dos trâmites para as vendas externas e incentivos para que as empresas de menor porte também passem a atuar lá fora. As medidas estão em estudo por uma equipe interministerial e a expectativa é a de que, após o resultado vermelho da balança no mês passado, aumente o engajamento das demais Pastas na busca por saídas para elevar as vendas brasileiras.

Em janeiro, a balança registrou um déficit de US$ 1,291 bilhão. Apesar de as exportações terem registrado a maior média diária para esse mês, as importações cresceram ainda mais no período. Por trás desse movimento está a crise financeira internacional, que vem definhando os mercados compradores, e o dólar. "É inegável o efeito do câmbio sobre a balança", disse Tatiana. "Afeta nos dois sentidos: ajuda a aumentar as importações e a diminuir as exportações." O Ministério da Fazenda já mostrou descontentamento nos primeiros dias do ano com sinais de uma queda mais forte do dólar em relação ao real.

E prometeu agir se esse movimento se consolidasse - o que não ocorreu até agora. Para o MDIC, a cotação atual da moeda americana está longe do nível ótimo. "Já esteve pior e já esteve melhor do que agora, mas o dólar não está em um em nível de conforto para o exportador brasileiro", disse a secretária.

Sem meta. Sem uma consolidação do quadro internacional, a estagnação do crescimento das exportações este ano é uma possibilidade que começou a integrar o cenário do MDIC. "Vamos exportar pelo menos um volume igual ao de 2011", previu a secretária. Mesmo assim, o Ministério optou por não divulgar a meta das exportações para este ano.

Com indicações de desaceleração da economia chinesa, a principal influência negativa no resultado da balança em janeiro foi a da queda de 31,1% da média diária das vendas de minério de ferro, que passou de US$ 120,9 milhões em janeiro de 2011 para US$ 83,4 milhões no mês passado. O MDIC calculou que, se não fosse a queda na venda da commodity, causada tanto por um arrefecimento do preço (10%) quanto do volume embarcado (20%), a média diária das exportações em janeiro saltaria de um crescimento de 1,3% para 7,8%.

Em relação ao destino, o maior tombo das vendas no mês passado foi para a União Europeia. O bloco comprou 25,2% a menos por dia em janeiro, na média, do que no mesmo mês de 2011.

Na avaliação de Tatiana, a Europa se retraiu com a crise e, por isso, diminuiu as compras. A saída, na opinião da secretária, é ampliar o leque dos países para os quais o Brasil vende seus produtos. Nações do Norte da África e até da América do Sul, que possuem maior risco, estão no radar.


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