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Dilma anuncia fim da 'miséria cadastrada' e PT vê reeleição 'sem pedras no caminho'

Ao anunciar que 22 milhões de brasileiros deixam a pobreza extrema, bandeira da campanha em 2010, presidente dá largada à sua reeleição

20 de fevereiro de 2013 | 2h 04
Tânia Monteiro e Rafael Moraes Moura - O Estado de S.Paulo

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Dilma é saudada pelo pestista Marcelo Déda e pelos peemedebistas Henrique Alves, Temer e Renan - Ed Ferreira/AE
Ed Ferreira/AE
Dilma é saudada pelo pestista Marcelo Déda e pelos peemedebistas Henrique Alves, Temer e Renan
Atualizada às 9h32

BRASÍLIA - A presidente Dilma Rousseff anunciou na terça-feira, 19, o fim da pobreza extrema entre os cadastrados pelo Bolsa Família, conquista que deverá se transformar no carro-chefe de sua campanha à reeleição. Em solenidade planejada para a véspera da comemoração, nesta quarta-feira, 20, dos dez anos do PT à frente do Palácio do Planalto, Dilma anunciou que 22 milhões de brasileiros deixaram de ser miseráveis desde o início de seu governo.

O número foi atingido a partir do lançamento, há dois anos, do programa Brasil Sem Miséria, que turbinou o Bolsa Família do antecessor e padrinho político, Luiz Inácio Lula da Silva.

"Falta muito pouco para a superação da pobreza extrema", discursou ontem a presidente.

Em março, o governo vai reajustar os benefícios de 2,5 milhões de pessoas que recebem o Bolsa Família. Com isso, elas passam a receber mais de R$ 70 ao mês per capita, valor que define, segundo critérios oficiais, a faixa dos pobres extremos. Dilma disse ainda que "nesse ato há um detalhe marcante: eles são os últimos dos brasileiros extremamente pobres, inscritos no cadastro do Bolsa Família, a transpor a linha da miséria". Desta forma, a miséria cadastrada será zerada.

Ainda vão restar, segundo o governo, cerca de 700 mil pessoas extremamente pobres no País, mas elas ainda não estão nos cadastros oficiais.

"Vamos vencer este campeonato, e aí vamos entrar para a história como um dos países que, de forma determinada e acelerada, eliminaram do seu território a miséria extrema, a pobreza extrema, a miséria", afirmou Dilma.

A cerimônia, com o slogan "O fim da miséria é só um começo", de autoria do marqueteiro João Santana, contou com a presença de pelo menos 13 ministros e dez governadores, além de inúmeros parlamentares e presidentes de partidos. Santana fez a campanha vitoriosa de Dilma em 2010 e também a do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva em 2006.

No discurso, Dilma criticou antecessores, como o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso (PSDB), mas sem citá-los.

O presidente do PT, Rui Falcão, aproveitou a festa para dizer que Dilma "tem tudo para ser reeleita". Ele minimizou as possíveis candidaturas presidenciais do governador de Pernambuco, Eduardo Campos (PSB) e da ex-senadora Marina Silva, fundadora de um novo partido, intitulado Rede Sustentabilidade. "O governo não tem pedras no caminho", disse.

Criador. Dilma citou o padrinho político pelo menos quatro vezes. "Nós começamos em 2003, no governo do presidente Lula, quando unificamos programas sociais precários que até então existiam", disse a presidente. "Um País só pode retirar 36 milhões de pessoas da miséria com um programa como o Bolsa Família quando, além de ter a sensibilidade para a dor dos mais pobres, possui também capacidade técnica, qualidade de gestão, honestidade moral e coragem política para realizar um feito dessa magnitude", gabou-se.

Depois de ressaltar que "o Brasil vira uma página decisiva na longa história de exclusão social" com esta nova etapa do programa Brasil Sem Miséria, que permitirá ao governo retirar mais 22 milhões de pessoas da miséria, a presidente classificou o seu projeto como o plano social "mais focado, mais amplo e mais moderno do mundo".

Na tentativa de rebater as críticas dos adversários, que acusam o governo Dilma de "propaganda enganosa", a presidente antecipou a resposta: "Não estamos dizendo que não haja mais brasileiros extremamente pobres. O que estamos garantindo é que o mais difícil já foi feito. Dito em outras palavras: por não termos abandonado o nosso povo, a miséria está nos abandonando".

Dilma enfatizou que o modelo de desenvolvimento construído no Brasil desafia "a lógica simplista, o disse me disse da política pequena". O modelo, segundo ela, seria incompreendido pelos "conservadores". "É por isso que as correntes do pensamento conservador, aquelas mesmas que quase empurram o mundo para o abismo da crise, insistem em não entender o Brasil e a originalidade do nosso modelo."

No fim da tarde, Dilma reuniu-se com mulheres camponesas, no Parque da Cidade, e foi bastante aplaudida. A cerimônia transformou-se em mais um palanque. "Quando tomei posse como primeira mulher presidente, disse que um dos meus compromissos era honrar as mulheres", disse.






Tópicos: Miséria, Dilma, Eleição

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