Dilma não acompanha alta de Lula
ANÁLISE
Do ponto de vista do PT, a pesquisa CNI/Ibope dá uma no cravo e outra na ferradura. O saldo positivo da avaliação do governo subiu 6 pontos porcentuais e chegou a 66. É o mesmo patamar de um ano atrás, o mais alto desde a posse de Luiz Inácio Lula da Silva. Por outro lado, a pesquisa mostra que a pré-candidata governista Dilma Rousseff encontra dificuldades para se fazer conhecer e colar sua imagem à do presidente.
Dilma só é razoavelmente conhecida por um terço do eleitorado. Os outros dois terços se dividem assim: 24% a conhecem pouco, 32% só ouviram falar dela e 10% a desconhecem totalmente. Entre setembro e fim de novembro, apesar das muitas aparições públicas na ministra, seu potencial de voto não se alterou significativamente. Ou a política de comunicação da pré-campanha de Dilma não está conseguindo faturar os ganhos de imagem do presidente, ou o eleitor ainda não está preocupado com a eleição. Ou ambos.
O potencial da candidata da situação está na avaliação extremamente positiva que o eleitor faz do governo Lula. São 72% de bom e ótimo contra apenas 6% de ruim e péssimo. A subtração desses dois porcentuais dá o saldo da avaliação, no caso, de 66 pontos porcentuais. Em setembro ele era de 60 pontos, e em março, de 54.
Soma-se a isso a constatação feita por mais pessoas de que a vida melhorou: 59% do eleitorado dizem que sua vida está melhor hoje do que há dois anos. Esse porcentual é nove pontos maior do que era em 2007. A percepção de melhora ocorreu entre ricos e pobres, em todas as faixas etárias e principalmente entre os mais instruídos.
Se considerarmos o que o eleitor acha que melhorou ou piorou nos últimos anos, segundo o Ibope, os temas para o candidato do governo são programas sociais, desenvolvimento econômico e combate ao desemprego. Proteção ao meio ambiente, educação e infraestrutura são eleitoralmente neutros, porque avaliações positivas e negativas se anulam.
Restam três assuntos com pior desempenho do governo e que podem ser explorados pela oposição: segurança pública, qualidade da saúde pública e combate à corrupção. O terceiro tema, porém, será difícil de ser usado com eficácia porque todos os principais partidos têm janela de vidro.
*É jornalista especializado em reportagens com uso de estatísticas e coordenador da Abraji
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