Diplomata teve coragem e agiu certo, diz Lafer

A Constituição do Brasil dá razão ao encarregado de negócios na Bolívia, Eduardo Saboia, que mostrou "coragem" ao decidir, sozinho, retirar o senador Roger Pinto Molina da embaixada. A opinião é do professor Celso Lafer, que foi chanceler do presidente Fernando Henrique Cardoso. "Cabe agora ao governo brasileiro reconfirmar o asilo político (ao senador) e compreender o sentido moral da posição do ministro Saboia", defende Lafer. "Nessas horas, a pessoa precisa parar para pensar e avaliar as dimensões morais de sua decisão - e foi essa a atitude do diplomata. (Saboia) avaliou e agiu dentro daquilo que caracteriza um homem de bem. Tenho o maior respeito pelo que ele fez."

Roberto Simon, O Estado de S.Paulo

27 Agosto 2013 | 02h12

Segundo a interpretação do ex-chanceler, o encarregado de negócios não entrou em conflito com a posição oficial do governo brasileiro, pois o asilo ao senador boliviano já havia sido concedido. Saboia "apenas operacionalizou" a decisão, argumenta Lafer. O principal alvo das críticas, continua, deve ser o governo Evo Morales, que, ao se recusar a conceder o salvo-conduto, violou uma das principais tradições do direito interamericano. "É bom lembrar que até o general Augusto Pinochet deu salvo-condutos." Lafer afirma ainda que a atitude de Saboia traz à memória o embaixador brasileiro Luís Martins de Souza Dantas, representante do governo Getúlio Vargas em Paris durante a 2.ª Guerra. Contra as restrições impostas pelo Estado Novo à concessão de vistos, Souza Dantas conseguiu que centenas de pessoas consideradas "indesejáveis" - judeus, comunistas, homossexuais e outros - deixassem o terror nazista e encontrassem abrigo no Brasil.

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