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Divergência trava troca de ministros do governo

Dilma queria solução caseira, mas deve nomear políticos após conselho de Lula

02 de dezembro de 2013 | 2h 15
João Domingos e Tânia Monteiro/BRASÍLIA - O Estado de S.Paulo

A pressão do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva para que sua sucessora, Dilma Rousseff, coloque políticos aliados no lugar dos ministros que vão sair para disputar cargos eletivos no ano que vem deverá fazer com que a reforma ministerial se dê em duas etapas, a primeira em janeiro e a segunda do final de março para o início de abril.

A solução, que dá mais tempo para Lula e Dilma negociarem com os partidos da base aliada os nomes que vão preencher as vagas nos ministérios, aumenta também o risco de atritos nos partidos que sustentam o governo no Congresso e que deverão formar a aliança que marchará unida pela reeleição da presidente.

O PMDB, por exemplo, exige uma solução rápida para o Ministério da Integração, cargo para o qual já escolheu o senador Vital do Rego (PB). E o PDT corre o risco de perder a vaga no Ministério do Trabalho caso não diga até janeiro que vai ficar na coligação de apoio a Dilma.

De acordo com informações de bastidores do Palácio do Planalto, Dilma tende a fazer uma reforma pequena no próximo mês, e uma maior depois, já no período anterior aos seis meses exigidos pela Justiça Eleitoral para que os ocupantes de cargo no Executivo que pretendem disputar a eleição deixem seus postos. Nessa condição estão cerca de dez ministros.

'Ano da entrega'. Antes de Lula aconselhar a presidente a nomear políticos para os ministérios, Dilma pretendia resolver tudo no início do ano. Para o lugar dos ministros que saíssem queria manter os secretários executivos. Exigiria deles fidelidade a seu projeto e "muito trabalho" para que todas as obras tocadas pelos ministérios fossem entregues no prazo planejado. Dilma definiu o ano que vem, quando disputará a reeleição, como "o ano da entrega".

Apesar do plano, a presidente deve atender o conselho de Lula e nomear políticos para o ministério. A ideia segurar na base todos os partidos aliados, impedindo que algum deles migre para a dupla formada pelo governador de Pernambuco, Eduardo Campos e a ex-ministra Marina Silva, ambos do PSB.

A reforma em duas etapas servirá ainda para que Dilma Rousseff procure equacionar problemas regionais que envolvem os ministros. Gleisi Hoffmann (Casa Civil), por exemplo, tem sofrido uma série de ataques por parte do governador do Paraná, Beto Richa (PSDB), e não tem conseguido se defender nem fazer a pré-campanha ao governo do Estado.

Ela pretende sair em janeiro e reassumir a cadeira no Senado para se movimentar mais no Paraná. Para o lugar de Gleisi, Dilma tem dois nomes, o do ministro Aloizio Mercadante (Educação) e o do secretário executivo do Ministério da Previdência, Carlos Gabas. Mercadante poderá ainda ser escolhido coordenador da campanha à reeleição, o que dificultaria sua ida para a Casa Civil.

Com o ministro da Saúde, Alexandre Padilha, que será candidato ao governo de São Paulo, ocorrerá o contrário. Padilha ainda é pouco conhecido entre os eleitores paulistas. Por isso, Dilma Rousseff deverá segurá-lo ao máximo no ministério. Até o fim do prazo legal para sua saída do ministério, Padilha aparecerá cada vez mais à frente de programas de apelo popular que podem render votos, como o Mais Médicos.

De acordo com auxiliares da presidente, ela tem consciência de que a demora na reforma provoca problemas na base. Para reduzi-los, Dilma vem retomando as conversas com os partidos. Na terça-feira passada, ela almoçou com a cúpula do PTB, ocasião em que ouviu um pedido explícito do partido para ocupar uma pasta. De preferência, a Integração Nacional.

A tendência, porém, é de que a saída do ministro do Turismo, Gastão Vieira, do PMDB do Maranhão, abra a vaga para a legenda. Mas isso só deverá ocorrer no final de março. No sábado Dilma conversou com dirigentes do PMDB e do PP.




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