Ir para o conteúdo
ir para o conteúdo
 • 
Você está em Notícias >
Início do conteúdo

Dobram ações do tráfico na fronteira

Procuradoria pede mais agentes federais na região de Guaíra, mas juiz acata alegação de ?rombo no orçamento?

24 de setembro de 2008 | 0h 00
Miguel Portela, CASCAVEL - O Estadao de S.Paulo

As ações de traficantes de drogas, armas, munição e contrabando fizeram praticamente dobrar, nos últimos três anos, o número de flagrantes abertos pela Procuradoria da República em Umuarama (PR). Em 2007, houve 130 processos criminais, sendo 115 de Guaíra, local da chacina ocorrida anteontem que deixou 15 mortos e 8 feridos - ontem, uma das vítimas ainda permanecia internada, em estado grave. Mas a escalada da violência na fronteira não foi suficiente para a União atender ao pedido da Procuradoria para aumentar o efetivo de segurança no entorno da cidade paranaense, considerada uma das principais rotas do tráfico de drogas e do contrabando de cigarros via Paraguai.

"Na visão do Ministério Público Federal, a União abandonou as fronteiras. Faltam policiais rodoviários, federais e fiscais da Receita Federal. Isso não é um problema só de Guaíra, mas de todas as regiões de fronteira", afirma o procurador da República em Umuarama, Robson Martins, autor da ação de fevereiro que solicitava a contratação de mais agentes.

O juiz Jail Benites de Azambuja acatou a justificativa de Brasília. Na sua sentença consta que o "aumento de pessoal resultaria num rombo do orçamento federal". Procurado ontem, Azambuja preferiu não comentar o caso. A Procuradoria entrou com recurso no 4º Tribunal Regional Federal, em Porto Alegre (RS). "É lastimável essa decisão diante dos flagrantes de tráfico de drogas, armas e contrabando na fronteira", frisou Martins.

Atualmente a Receita Federal, que é subordinada à Delegacia de Foz do Iguaçu, tem apenas cinco fiscais na região de Guaíra e a Delegacia da Polícia Federal tem 20 agentes, mas nem todos atuam na repressão ao crime organizado. O único posto da Polícia Rodoviária Federal em funcionamento na Ponte Ayrton Senna, que divide os Estados do Paraná e Mato Grosso do Sul, foi instalado graças a uma liminar obtida pela Procuradoria da República em Umuarama.

Ao todo há 14 policiais que se revezam para fiscalizar o trânsito no trecho da BR-163 entre Guaíra e Mundo Novo (MS). "Para o Ministério Público Federal, o efetivo de segurança deveria dobrar para combater a criminalidade na fronteira. Se permanecer a situação, não há dúvida de que a criminalidade tende a aumentar", disse Martins.

Além do incremento das forças federais de segurança, a Procuradoria já protocolou no Tribunal Regional Federal quatro pedidos para a instalação de Vara Federal e Procuradoria da República em Guaíra, para dar conta de processos criminais em curso. Atualmente, as ações originárias da cidade paranaense são remetidas à Procuradoria de Umuarama, que fica a 120 quilômetros da fronteira. Na base da Receita, os processos vão para Foz.