Documentários trazem de volta personagens das artes
José Lewgoy e Chacrinha são alguns dos ícones inspiradores
Um diretor de teatro que enfrentou a ditadura, um marcante ator de cinema, um jornalista polêmico, um grupo musical tragicamente desaparecido - são vários os documentários nacionais selecionados para a Mostra, mas a maioria foca sua lente essencialmente na arte. São perfis de personalidades que marcaram a cultura brasileira.
Flávio Rangel - O Teatro na Palma da Mão, de Paola Prestes, reconstrói, a partir de depoimentos diversos, a trajetória de um encenador que foi vital nas artes cênicas, como tradutor, diretor e autor. O palco também brilhou, nos anos 1970, com a ousada irreverência de um grupo performático carioca, tema do filme Dzi Croquetes, de Tatiana Issa e Raphael Alvarez.
O destino mudou a feitura de Eu Eu José Lewgoy, dirigido por Cláudio Kahns - concebido inicialmente como uma cinebiografia do ator, o documentário mudou com a morte de Lewgoy, em 2003. Kahns, que codirigia o filme, continuou com o projeto, que traz imagens de arquivo e depoimentos de amigos.
Kahns também assina Mamonas pra Sempre (O Doc), sobre o irreverente grupo de rock paulista Mamonas Assassinas, que morreu tragicamente em um acidente de avião. Em pouco tempo, eles se transformaram em um fenômeno de mídia, reforçado por seu desaparecimento. Quem também consolidou imagem como comunicador foi Chacrinha, tema de Alô, Alô Terezinha, de Nelson Hoineff, que usa muitas cenas dos programas de TV do Velho Guerreiro, mas as intercala com entrevistas atuais de antigos participantes, em especial as chacretes.
Hoineff também traçou o perfil de um ícone do jornalismo brasileiro, Paulo Francis. Em Caro Francis, o cineasta revela as qualidades que transformaram o crítico e colunista em um grande polemista. E, embora tenha convivido tanto tempo com o homem (e o mito), Hoineff reconhece que não conseguiu estabelecer o que seria o limite entre o personagem e seu intérprete.
Perfis reveladores também marcam A Raça - Síntese de Joãosinho Trinta, de Paulo Machline e Giuliano Cedroni, sobre o carnavalesco que transformou essa festa popular em arte; e Os Gracies e o Nascimento do Vale Tudo, de Victor Cesar Bota, sobre a família que se consolidou nesse esporte.
Fugindo da temática artística, À Margem do Lixo, nova investigação de Evaldo Mocarzel (que também acompanhou a encenação de BR-3), e Futebol Brasileiro, estreia da japonesa Miki Kuretani, retrato de três personagens pinçados das ruas do Brasil, de diferentes gerações, cuja vida gira em torno do futebol.
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