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''É mais que um jogo. Uruguai e Costa Rica vão jogar a vida''

Brasileiro, que já levou a Jamaica para a Copa, espera repetir o feito na África do Sul por outra seleção da Concacaf

24 de outubro de 2009 | 0h 00
Bruno Lousada - O Estadao de S.Paulo

No escritório de sua casa, na Barra da Tijuca (zona oeste), o técnico René Simões juntou todo o seu acervo e criou um "museu". Ali, sua história profissional está retratada em fotografias, medalhas, flâmulas e faixas de campeão. Um quadro, em especial, lhe traz inspiração e boas lembranças. Nele, os jogadores da seleção da Jamaica erguem René Simões como se ele fosse um troféu. A comemoração era pela inédita classificação da equipe para a Copa de 1998, na França.

Agora, o treinador quer reviver essa emoção, desta vez pela Costa Rica, e preencher a sua "sala de conquistas" com mais uma recordação. Contratado em setembro, ele viu a vaga direta para a Copa da África do Sul escorrer pelas mãos graças a um gol de empate sofrido nos segundos finais da partida contra os Estados Unidos, em Washington, em 14 de outubro, pelas Eliminatórias da Concacaf.

O empate por 2 a 2 jogou a Costa Rica na repescagem. Enfrentará o Uruguai em dois confrontos. O primeiro, em casa, dia 14 de novembro. Quatro dias depois, vai até Montevidéu. "Será o jogo das nossas vidas", disse René, suspenso pela Fifa por um jogo por causa da expulsão contra os EUA. Ou seja, não estará no banco de reservas na primeira partida contra os uruguaios.

A classificação direta para a Copa bateu na trave. A Costa Rica já se recuperou do baque?

Foi muito difícil. Eu estava no vestiário (porque havia sido expulso) e meu assistente relatou que faltava um minuto para o jogo com os EUA acabar e a Costa Rica se classificar (vencia por 2 a 1). Pouco depois, vejo todo mundo chorando e lamentando o gol sofrido. Foi um desespero total. Eu tive de agarrar alguns jogadores pelo braço e juntar o grupo todo. Disse que eu largaria a seleção se eles não se levantassem naquela hora. No dia seguinte, os jogadores se reuniram, me chamaram e garantiram estar prontos.

O Uruguai é favorito?

Sei que na Costa Rica não vão gostar da minha opinião. Se fosse o Brasil contra o Uruguai, você apostaria em quem? Brasil. Agora, Uruguai versus Costa Rica, apostaria em quem? Uruguai. Só que tem um detalhe: em casa, vamos atuar num campo de grama sintética, experiência que eles nunca tiveram. Isso iguala o confronto.

O que esperar desses dois confrontos decisivos?

É mais do que um jogo de futebol. Define outras coisas importantes para o país. A Copa do Mundo atrai visibilidade e faturamento com publicidade para qualquer nação. Uruguai e Costa Rica vão jogar a vida.

Já começou a estudar o time do Uruguai?

Sim. Peguei muitas informações sobre eles. Conversei até com o Jorginho (auxiliar do técnico Dunga). Estive no Uruguai, durante a semana, para ver acomodação e campo de treinamento. Sugeriram colocar a seleção da Costa Rica num lugar mais distante, mas não quero tirá-la da guerra. Vamos ficar em Bagdá mesmo. Deixa a bomba cair ali mesmo.

Vocês vão tomar alguma precaução em Montevidéu?

Falei da necessidade de contratar seguranças uruguaios. Porque, no instante em que o bicho pegar, eles sabem para onde vão poder correr. Temos de ter preocupação com tudo, com alimentação, campo de treinamento e reservar dois andares num hotel só para a delegação. Ali, não entra mais ninguém. Nem de agasalho, nem de saia, nem de cabelo curto ou comprido. Tem de ver também a comida e água que o time vai ingerir. Nunca se sabe o que pode acontecer numa hora dessas.

A sua vinda ao Brasil gerou muitas críticas?

Reclamaram lá. Avisei que viria ao Brasil (por uma semana) para recarregar a bateria. Volto amanhã. Disseram que eu vim para cá passear. Mas não é nada disso. Queria apenas ficar com a minha família.