Egito protesta contra morte de 3 soldados por Israel
Cairo pede investigação sobre o caso e deve convocar gabinete; multidão protesta diante de embaixada israelense
A morte de três guardas de fronteira do Egito por forças israelenses inflamou ontem ainda mais as relações entre os dois vizinhos, já tensas desde a queda do ditador Hosni Mubarak. A diplomacia egípcia enviou um protesto formal ao governo israelense. No centro do Cairo, uma multidão cercou o prédio onde fica a embaixada de Israel para protestar.
Os atiradores que haviam se infiltrado em Israel pelo Egito tentaram retornar pela fronteira após os ataques, enquanto eram perseguidos por soldados israelenses. Na ação, vários atiradores teriam sido mortos, além de um oficial e dois soldados do Exército egípcio. Outros oito integrantes das forças do país árabe ficaram feridos.
Um porta-voz do conselho militar que governa o Egito disse que o gabinete deve se reunir em breve para discutir a agressão israelense. "O Egito pede, com urgência, uma investigação sobre os motivos e circunstâncias das mortes", afirmou o conselho militar por meio de nota.
Amr Moussa, ex-secretário-geral da Liga Árabe e candidato à presidência do Egito, criticou duramente as ações do país vizinho. "Israel deve entender que os dias em que os filhos do Egito eram mortos sem uma reação forte e necessária acabaram", afirmou Moussa.
Manifestantes protestavam ontem diante da Embaixada de Israel no Cairo, gritando palavras de ordem contra os israelenses. Eles exigiam que a bandeira de Israel fosse retirada da fachada do edifício.
Após os ataques de quinta-feira a Israel, várias autoridades do governo Binyamin Netanyahu criticaram a incapacidade do Egito de manter a segurança na Península do Sinai. A região desértica, conhecida por seus balneários à beira do Mar Vermelho, estaria se tornando uma terra de ninguém, segundo fontes da inteligência israelense e americana.
Ontem, o governador do Sinai, Khaled Fouda, veio a público rebater as acusações. "Nós rejeitamos essas declarações. As patrulhas e postos de controle no Sinai foram reforçados", afirmou o governador.
O Egito declarou ter prendido mais de 20 suspeitos de integrar grupos radicais islâmicos na região. Um policial morreu em confrontos com militantes que haviam sido cercados na cidade de Kuntilla.
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