Em 1 ano, plataforma americana na internet teve 50 mil pedidos

Mecanismo criado na gestão de Barack Obama permite que governo se posicione sobre temas que preocupam o cidadão

DENISE CHRISPIM MARIN, CORRESPONDENTE / WASHINGTON, O Estado de S.Paulo

11 Março 2013 | 02h11

A sugestão para trocar o solene hino nacional americano, de 1814, pelo rap Ignition, do cantor R. Kelly, pode ter uma resposta em breve da Casa Branca. Assim como o boicote aos Jogos Olímpicos de Inverno de 2014, na Rússia, a ideia de adotar como hino um rap foi apresentada como uma petição de cidadãos ao Executivo americano. Seus autores terão uma posição oficial assim que houver 25 mil assinaturas de endosso.

As petições à Casa Branca já eram tradição no país quando, em setembro de 2011, o governo de Barack Obama lançou a plataforma na internet "We the People". "Nós, o povo", em português, são as três primeiras palavras da Constituição americana, cuja primeira emenda respalda o direito dos cidadãos a obter respostas do governo a suas sugestões.

A plataforma de petições surgiu no contexto da Parceria de Governo Aberto, uma iniciativa internacional liderada por Obama e pela presidente Dilma Rousseff. Na primeira semana de funcionamento, o "We the People" recebeu 8 mil petições. Em 1 ano, totalizou 50 mil pedidos, 3,4 milhões de assinaturas e 2,8 milhões usuários cadastrados. O número de assinaturas requeridas para a Casa Branca dar sua resposta - 5 mil - teve de ser elevado. Agora, são necessárias 25 mil. Nos dois últimos meses de 2012, 6 milhões de americanos acessaram a plataforma e deixaram 10 milhões de assinaturas em diferentes petições.

Nos cálculos da equipe do "We The People", 1,1 milhão de pessoas foram respondidas pela Casa Branca. Os usuários estão cientes de que as petições não se tornarão, necessariamente, projetos do governo. Não se trata de um referendo, mas de um meio de o governo se posicionar sobre temas de preocupação dos cidadãos.

Dentre as mais recentes petições, a sugestão para tornar feriado o Ano Novo Lunar recebeu 39,8 mil assinaturas. Já o pedido de maior atenção ao conflito Nagorno-Karabakh, provocado pela ocupação de parte do território do Azerbaijão por militares da Armênia, teve 105,7 mil assinaturas - quatro vezes mais que o mínimo necessário. Mas a Casa Branca limitou-se a lamentar a violência e a reiterar seu compromisso de atuar para se chegar a um acordo de paz.

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