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Em 3 anos, gasto com marmita para presos sobe 147%

Apesar de queixas de detentos e agentes, empresa do Rio recebeu R$ 97,2 milhões do Maranhão e nega falta de qualidade da comida

12 de janeiro de 2014 | 2h 03
MARCELO GOMES / RIO - O Estado de S.Paulo

Carne podre. Frango cru com arroz. Comida fria. As constantes reclamações em relação à qualidade das quentinhas fornecidas aos presos do Maranhão não evitaram que o governo de Roseana Sarney (PMDB) gastasse no ano passado R$ 23,5 milhões com a Masan Comercial Distribuidora Ltda. O montante supera em 147% o que foi pago em 2011 à mesma empresa, única fornecedora de marmitas para cadeias do Estado.

'Muitas vezes, o frango vem cru, o arroz duro e o feijão, estragado', diz preso - Arthur Rodrigues/Estadão
Arthur Rodrigues/Estadão
'Muitas vezes, o frango vem cru, o arroz duro e o feijão, estragado', diz preso

A Masan alega nunca ter recebido reclamações. O governo do Maranhão afirma que a alimentação é balanceada e acompanhada por nutricionistas.

Com sede no Rio, a Masan já recebeu R$ 97,2 milhões de diversos órgãos do governo maranhense desde 2011. Quase metade do valor (R$ 47,6 milhões) saiu da Secretaria de Justiça e Administração Penitenciária (Sejap). Os contratos preveem "prestação de serviços de preparo, transporte e fornecimento de alimentação aos estabelecimentos penais".

"Muitas vezes, o frango vem cru, o arroz duro e o feijão, estragado. Nada presta. É impossível comer", disse ao Estado um preso do regime semiaberto.

Mulheres de detentos também reclamam da comida e dizem que a maioria dos presos não consegue comê-la. "É tão ruim que sobra, e os presos do semiaberto colocam em carrinhos de mão e vendem para os criadores de porcos. Um carrinho de mão cheio custa R$ 5", contou uma mulher de 41 anos, cujo marido está preso há 10. Segundo ela, frequentemente a carne vem crua e os homens têm de cozinhar novamente nos fogareiros improvisados nas celas.

O vice-presidente do Sindicato dos Agentes Penitenciários, Cezar Castro Lopes, afirmou que no Centro de Detenção Provisória (CDP) de Pedrinhas mais da metade das marmitas é devolvida pelos presos. "Quem recebe comida de parentes não come a quentinha. Acaba indo tudo para o lixo."

Segundo Lopes, em algumas unidades prisionais os agentes penitenciários contratam cozinheiras para não comer as quentinhas fornecidas pela Masan. O sindicato já teria comprado fogões e geladeiras para os agentes em alguns presídios.

Fornecimento. Além das cadeias, a Masan também forneceu nos últimos três anos comida para batalhões da Polícia Militar, delegacias da Polícia Civil e escolas estaduais maranhenses, segundo o Portal da Transparência. Os primeiros contratos da empresa com o governo remontam a 2007, ainda na gestão Jackson Lago (PDT), cassado em 2009, ano em que a atual governadora Roseana Sarney assumiu. Algumas contratações foram celebradas com dispensa de licitação.

Em seu site, a Masan informa que, além do Maranhão, a empresa atua nos Estados de São Paulo, Rondônia, Rio de Janeiro e no Distrito Federal.

O Estado esteve anteontem em duas unidades da empresa em Duque de Caxias, na Baixada Fluminense. Havia movimentação de funcionários - segundo um deles, cerca de 60 pessoas trabalhavam no local. Na sede administrativa, que fica próxima, um cartaz colado na porta do prédio de três andares informava que não haveria expediente naquela tarde. Segundo um funcionário, acontecia uma festa anual do grupo, que também administra um frigorífico e outra fábrica na região.

A gestão Roseana disse que o controle de qualidade das quentinhas é feito por equipe da Secretaria Adjunta de Justiça da Sejap. Questionada sobre o motivo do aumento do gasto com a Masan, o governo informou que "a manutenção da estrutura dos presídios requer investimentos efetivos em infraestrutura, mão de obra e qualificação e na alimentação".

A Masan informou, em nota, que o cardápio é composto "de carboidratos, leguminosas, proteínas, guarnição e bebida não alcoólica". A empresa afirmou também que "não foi comunicada oficialmente pelos órgãos competentes de que as refeições servidas estão fora do padrão de qualidade" e que "tem um corpo técnico formado por nutricionistas que faz a inspeção das refeições diariamente". / COLABOROU ARTUR RODRIGUES, ENVIADO ESPECIAL A SÃO LUÍS




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