Em áreas violentas, 44% presenciaram homicídios
No Recife, entre o grupo de jovens mais vulneráveis, 15% já tiveram parentes ou colegas assassinados; 31% dizem ser fácil obter uma arma
Cerca de 44,5% dos jovens que estão mais expostos à violência afirmam já terem visto pessoas sendo assassinadas. Entre os integrantes desse mesmo grupo, 8% dizem que perderam amigos, parentes ou namorados vítimas de homicídios e 88% garantem ter visto o corpo de pelo menos uma pessoa assassinada - 62,7% já presenciaram quatro corpos ou mais. Quase um em cada três jovens entrevistados (31%) disse que tem facilidade para conseguir uma arma de fogo.
Os resultados são da pesquisa de opinião feita entre junho e julho deste ano com 5.185 jovens de 12 a 29 anos em 31 municípios pelo Datafolha para o estudo apresentado ontem pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP). "Os dados mostram concretamente os reflexos cotidianos para os jovens que vivem em lugares mais expostos à violência", diz o sociólogo Renato Lima, secretário-geral do FBSP.
Conforme a pesquisa, os jovens das capitais nordestinas do Recife (47,8%), de Salvador (43,2%) e de Maceió (41%) foram os mais expostos às histórias de violência. No Recife, entre o grupo de jovens mais vulneráveis, 15,1% já tiveram parentes ou colegas de escolas assassinados. No mesmo grupo, 91,9% dos jovens já viram vítimas de homicídios.
No Rio, 28,9% dos jovens têm histórias de violência para contar. Os resultados impressionaram até o ministro Tarso Genro, que esteve presente ontem na divulgação dos resultados. "A pesquisa derruba determinados mitos de que a situação mais vulnerável para a juventude é a do Rio. Não é. Tem problemas graves no Rio, mas a pior situação é a do Nordeste. Há indicadores sociais baixos, pouca aplicação de recursos para renovar políticas de segurança e poucas políticas preventivas", disse.
A pesquisa revelou um forte engajamento dos jovens em atividades comunitárias e sociais. Dos entrevistados, 57,4% disseram participar de projetos sociais, ONGs, associação de moradores e partidos políticos. "O interessante desses resultados é que ajudam a tirar o estigma da juventude. O jovem aparece como solução ao se engajar nas atividades sociais e não como problema", afirma a assessora especial do Ministério da Justiça, Regina Miki.
A diretora do Instituto Latino-Americano das Nações Unidas, Paula Miraglia, diz que os resultados mostram a necessidade de se investir em políticas para jovens voltadas ao tema da violência. É o caso dos trabalhos do Instituto Sou da Paz, financiado com verbas do Pronasci, que formam gestores em diferentes Estados brasileiros para lidar em regiões violentas. "Nos moldes do programa que deu certo em São Paulo", observa Denis Mizne, fundador do Instituto Sou da Paz.
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