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Em Detroit, a vez é dos carros 'populares'

Montadoras americanas apresentam carros menores e mais eficientes

12 de janeiro de 2010 | 0h 00
Marianna Aragão, enviada especial em Detroit - O Estadao de S.Paulo

Reação - Alan Mulally (E) e Bill Ford Jr., ao lado do novo Focus: segundo executivos, operações da empresa voltaram ao azul no 3º trimestre


Desenvolvimento de produtos cada vez mais globalizado, foco em carros econômicos e de menor porte e mais austeridade. Foi com esse discurso que as principais montadoras se apresentaram ontem na abertura do Salão Automóvel de Detroit, um dos mais importantes eventos da indústria e o primeiro realizado após o setor ter vivido uma de suas piores crises desde a Segunda Guerra Mundial. Apesar de manterem shows modestos, como no ano passado, quando imperou um clima sombrio nos corredores do Cobo Center, no centro de Detroit, as maiores fabricantes de automóveis do mundo tentaram demonstrar otimismo com as perspectivas para este ano.

Primeira empresa a mostrar seus lançamentos, na manhã de ontem, a Ford comemorou o simples fato de 2010 ter, finalmente, chegado. "2009 é um ano que nunca vamos esquecer", disse Alan Mulally, presidente global da Ford. Mulally afirmou, no entanto, que já vê melhora no desempenho das operações da companhia em todas as regiões em que atua. "Todas as nossas quatro operações voltaram a ser rentáveis no terceiro trimestre", afirmou. A Ford foi a única grande montadora da região de Detroit (berço também da GM e da Chrysler) que não recebeu socorro financeiro do governo.

Dois dos principais produtos mostrados pela fabricante americana no salão ontem foram os compactos Fiesta e Focus. A aposta em modelos menores e mais eficientes permeou o discurso de todos os executivos do grupo. "Essa é uma nova era para a Ford", disse o presidente do conselho da empresa, Bill Ford Jr. "Nossas vendas estão crescendo mês a mês e os novos produtos estão chamando as pessoas de volta." Segundo o executivo, a operação brasileira foi um dos destaques da Ford no ano passado. "O Brasil tem sido um ótimo lugar para nós nos últimos dois anos. As decisões políticas que foram feitas foram maravilhosas para proporcionar crescimento e estabilidade", comentou.

A Toyota, outra empresa que perdeu vendas no ano passado, também acredita que 2010 será um ano de consolidação da transformação por que passa a indústria mundial. "Temos esperança no ano que começa", disse Jim Lentz, presidente da Toyota América do Norte, que aposta que a indústria americana deve finalmente mostrar algum crescimento este ano, com as vendas avançando de 10,4 milhões para 11,4 milhões. No ano passado, as vendas nos EUA tiveram queda de 21%, o que fez o país perder o posto de maior mercado de automóveis do mundo para a China. "Estamos finalmente vendo a luz no fim do túnel", disse o presidente da Volks nos EUA, Stefan Jacoby, que também prevê crescimento nas vendas do país este ano.

Para a GM, que esteve no epicentro da crise mundial e tem hoje 60% de suas ações nas mãos do governo, o salão deste ano reflete "a renovação da indústria". Segundo o vice-presidente do conselho de administração do grupo, Bob Lutz, apesar de dolorosa, a reestruturação já está dando frutos. "Nunca deixamos de criar novos carros e caminhões", disse Lutz, em entrevista a um grupo de jornalistas brasileiros. Também acompanhando o movimento em direção a veículos mais compactos, a GM mostra no salão, para o mercado americano, modelos como o Cruze, popular na Ásia e Europa, Aveo RS e Spark, menor carro produzido pela montadora.

A repórter viajou a convite da Anfavea