Em São Paulo, letalidade é 40% menor
Em uma década, 6.195 pessoas morreram em enfrentamentos com a polícia
Apesar de São Paulo ter população 2,5 vezes maior do que a do Rio, o número de pessoas mortas pela polícia em território paulista é 40% menor do que na área fluminense, mostra levantamento feito pelo Estado com base nos últimos 10 anos.
Entre 1998 e setembro de 2009, 6.195 pessoas não sobreviveram em supostos confrontos com homens das corporações Civil e Militar de São Paulo, frente as mais de 10 mil vítimas dos chamados auto de resistências no Estado do Rio.
O fato dos dados paulistas contrastarem com os números fluminenses faz com que especialistas ressaltem os programas de controle de letalidade usados em São Paulo. A Polícia Militar lembra que o controle de tiro, chamado de método Giraldi, em uso desde 2002, é uma das referências nacionais.
Ainda assim, a letalidade policial de São Paulo não se enquadra em padrões ideais. Segundo avaliação do Centro de Estudos de Segurança e Cidadania (Cesec), da Universidade Candido Mendes, índices internacionais mostram que entre 3% e 4% do total de homicídios de um país pode estar concentrado nas mãos de policiais. Em São Paulo, este índice oscila entre 6% e 9%, bem menos do que os 25% registrados no Rio, mas longe do aceitável.
Para o levantamento, foram usados os dados disponíveis no site da Secretaria da Segurança Pública. As estatísticas referentes às pessoas mortas por policiais em folga também foram levadas em conta, ocorrência mapeada só a partir de 2003. A informação é importante, lembra Renato de Vitto, do Instituto Brasileiro de Ciências Criminais, já que muitos policias fazem "bico" na segurança privada. A série histórica mostra que o pico de registros foi no ano de 2003, quando 803 pessoas morreram em supostos confrontos com as polícias.
Na vice-liderança está 2006, ano dos ataques do Primeiro Comando da Capital (PCC), com 561 mortes. Em 2009, ano em que roubos, furtos e latrocínios estão em ascensão, os dados até setembro mostram também tendência de aumento de mortos pela polícia - 379 mortes contra 371 em todo ano passado. "Nosso sistema favorece a impunidade do policial que mata. A omissão para avaliar cada morte encontra respaldo social que desconsidera a importância da investigação", afirma Vitto. Pesquisa da Secretaria de Direitos Humanos mostrou que 43% da população concorda com a frase "bandido bom é bandido morto".
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