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Em último caso, intervenção será a saída

06 de fevereiro de 2010 | 0h 00
- O Estadao de S.Paulo

Tanto o FMI como a UE já deixaram claro que não deixarão nem a Grécia nem outro país da região quebrar. Em Bruxelas, fontes da Comissão revelaram ao "Estado" que custaria mais barato para a UE salvar a economia grega que deixar o euro desmoronar e perder credibilidade. Mas ninguém sabe como é que uma intervenção ocorreria. A UE insiste que salvaria a Grécia em caso de um caos. Mas as regras de fundação da UE, estabelecidas no Tratado de Maastricht, deixam claro que pacotes de socorro a um Estado membro não existem. Quem defendeu a regra foi a Alemanha, temendo que acabasse pagando a conta dessas intervenções.

Nenhum político alemão ou francês ousou declarar que estava disposto a bancar o custo de um resgate. O presidente francês Nicolas Sarkozy, por exemplo, se limitou a dizer que tinha "confiança" no plano grego de reestruturação. O ministro de Economia da Alemanha, Rainer Bruederle, disse que cabe aos gregos resolver seus problemas. "Os contribuintes alemães ou de outro país não podem financiar o fracasso de outros. Isso não é uma comunidade", disse Bruederle.

Já o diretor-gerente do FMI, Strauss-Kahn, afirmou que o Fundo está pronto para intervir, se chamado. Mas um pacote do Fundo para um país da zona do euro poderia ter forte impacto na credibilidade da moeda única, sem contar o orgulho de Bruxelas. Em 2009, o FMI lançou pacotes para salvar vários países do Leste Europeu que estão na UE. Mas nenhum deles usavam o euro. A crise no Leste Europeu até mesmo freou o ritmo da expansão do bloco europeu para novos membros.

Em março, a Grécia passa por seu primeiro teste na UE e deve garantir que chegará a um déficit de 8,4% em 2011. Se não passar no teste, nova turbulência deve ocorrer e o governo lançaria uma corrida para financiar dívidas de cerca de US$ 28 bilhões que vencem em abril. Nesse momento, a opção será a de declarar o calote ou um pacote de resgate. Para Bruxelas, a segunda opção é a única alternativa.