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Empresas brasileiras vão para a NUVEM

Crescimento do mercado local estimula empreendedores e atrai gigantes como a Amazon

05 de dezembro de 2011 | 3h 06
RENATO CRUZ - O Estado de S.Paulo

O evento Oracle OpenWorld Latin America, que começa amanhã em São Paulo, terá um estande da Amazon Web Services, serviços de computação em nuvem da gigante do varejo virtual. A brasileira Dedalus é parceira da empresa no País. "Estamos trabalhando há um ano com eles", afirmou Maurício Fernandes, presidente da Dedalus. "Mas eles são muito discretos."

A Dedalus tinha uma operação de centros de dados, chamada DHC, que foi vendida para o UOL em 2009. "Depois que vendemos o data center, começamos a contratar o serviço deles para nossos clientes, sem nenhum vínculo", disse Fernandes. "Depois de 20 clientes, nos chamaram para conversar. Perguntaram sobre o mercado brasileiro e ficaram animados." Atualmente, a Dedalus tem cerca de 50 clientes na Amazon.

Computação em nuvem é o nome que se dá para infraestrutura de tecnologia da informação e software vendidos como serviço. No desenho que representa uma rede, a internet costuma ser representada por uma nuvem, porque é impossível mostrar todos os computadores e conexões que formam a rede mundial. Daí vem o nome computação em nuvem.

Os analistas costumam dividir o mercado em nuvem pública e nuvem privada. Nuvem pública é a internet, em que várias empresas compartilham recursos remotamente.

Nuvem privada pode parecer uma contradição em termos, mas é a aplicação das tecnologias de nuvem à infraestrutura de uma empresa. No lugar de cada aplicação ter seu servidor e seu sistema de armazenamento, por exemplo, esses recursos são compartilhados.

Mercado. A consultoria IDC tem um estudo sobre o tamanho do mercado de nuvem pública no Brasil. Ele deve passar de US$ 64 milhões no ano passado para US$ 491 milhões em 2014. A fatia com maior potencial de crescimento é de software como serviço, que deve passar de 32% do total em 2010 para 39% em 2014.

Esse mercado tem atraído cada vez mais empresas iniciantes de tecnologia. "Daqui para a frente, todo mundo que desenvolve software tem de ser para a nuvem", afirmou Anderson Figueiredo, gerente de Pesquisa e Consultoria da IDC. Para ele, existe um grande mercado nas empresas pequenas, que não precisam mais comprar servidor ou licença de software.

No ano passado, entre 18% e 20% das empresas brasileiras grandes e médias usavam soluções de computação em nuvem. Atualmente, esse porcentual está em 30%. Figueiredo vê três grandes barreiras ao crescimento do mercado: as preocupações com segurança, os problemas de qualidade com as conexões de internet no Brasil e o próprio entendimento do conceito pelos clientes.

Tablets. "De certa forma, não devemos ter a pretensão de explicar o que é nuvem para o cliente, mas de entregar alguma coisa que funciona", afirmou Leandro Fraga, presidente da MIPC. Sua empresa forneceu uma solução de computação em nuvem para a Fundação Instituto de Administração (FIA), que ofereceu cerca de 100 tablets para seus alunos com o conteúdo de seu MBA Executivo.

Com a solução da MIPC, o tablet funciona como um terminal, que permite ao aluno acessar remotamente seu computador pessoal, instalado na nuvem, com todo o conteúdo do curso.

"A economia do material em papel cobre mais da metade do custo do tablet", afirmou Fraga. A MIPC começou a vender no ano passado sua solução de computação em nuvem, e espera terminar o ano com cerca de 5 mil usuários. "O potencial é enorme", completou o executivo.

A Go2NeXt é uma empresa criada este ano por Paulo Pichini, que tem 25 anos de experiência no mercado de tecnologia da informação. O objetivo da companhia é explorar as oportunidades no mercado de nuvem privada. "Trabalhamos como facilitadores, adaptando a infraestrutura das empresas para o uso de nuvens", explicou Pichini. "Tem muita empresa grande fazendo projeto."


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