Energia solar agora é item obrigatório
O diretor do Observatório Astronômico de São Petersburgo, na Rússia, Khabibullo Abdusamatov, disse em janeiro que "o aquecimento global é resultado da elevada e prolongada atividade solar que aconteceu nas últimas décadas" e eximiu o efeito estufa de qualquer tipo de culpa humana. Mas uma ONG tenta mostrar - e comprovar - que o sol não é o vilão da história. Prova disso é a Lei 14.459, sancionada em julho pelo prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab, que dentre outros itens, obriga as novas edificações da cidade a instalarem o sistema de aquecimento de água movido a energia solar.
A Sociedade do Sol, com sede no Centro Incubador de Empresas Tecnológicas da Universidade de São Paulo (USP), desenvolve projetos que unem consciência ambiental e responsabilidade social, além de visar o melhor uso possível do Sol. Um desses trabalhos é o Aquecedor Solar de Baixo Custo (ASBC), um tipo de aquecedor semelhante ao utilizado na Europa e nos Estados Unidos, porém feito 100% de plástico e de valor acessível às comunidades carentes e aos aposentados, que não têm condição de arcar com os custos mensais de um sistema de aquecimento por meio de energia elétrica.
O engenheiro eletrônico Augustin Woelz, coordenador da ONG, explica: "Os modelos europeu e americano são fabricados com metal. O modelo brasileiro, por ser feito de plástico, pode ser reciclado quando seu uso terminar." O funcionamento do ASBC se dá através de coletores feitos com placas de forro de PVC pintadas de preto. A energia solar que incide sobre essas placas transforma-se em calor e aquece a água que está dentro dos coletores. Então, a água quente perde uma parte de sua densidade e movimenta-se em direção à caixa d?água. É o processo denominado termosifão.
A vida útil do aquecedor solar popular é de aproximadamente 15 anos. O aparelho tem capacidade para aquecer de 200 a 1.000 litros de água, o suficiente para banhos de uma família de até seis pessoas, e pode custar R$ 350. Nos dias de muito sol, a água chega a atingir a temperatura de 50°C. O próprio morador aprende a instalá-lo por meio de cursos e apostilas disponibilizados pela ONG. O aquecedor convencional requer instalação especializada e, excluindo essa mão-de-obra, custa pelo menos nove vezes mais.
Nos dias chuvosos, o ASBC fica inoperante, mas o sistema de aquecimento da água volta a funcionar normalmente pelo modo tradicional, ou seja, por energia elétrica.
O aposentado Hirofumi Fujiwara, de 81 anos, morador do bairro Parque Continental, na zona oeste de São Paulo, instalou, sozinho, o aquecedor em sua casa, um ano atrás. Ele conta que está satisfeito: "É muito eficiente e reduziu drasticamente a conta de energia. Com o aparelho, consigo economizar e usar meu ofurô (banheira japonesa), sem complexo de culpa."
* Belisa Frangione Vieira de Souza é aluna da Universidade São Judas Tadeu
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