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Enterrados 7 bebês mortos na Santa Casa do PA

Direção do hospital ainda não se manifestou sobre causa dos óbitos

05 de julho de 2008 | 0h 00
Emilio Sant?Anna - O Estadao de S.Paulo

Mais sete recém-nascidos foram enterrados ontem no Cemitério Municipal Tapanã, periferia de Belém (PA). Os corpos foram trazidos por funcionários da Santa Casa de Misericórdia do Pará pouco depois das 10 horas. Sob um forte calor, apenas as famílias de três deles acompanharam o sepultamento, no mesmo local em que outros 22 bebês foram enterrados desde a metade de junho.

Sobre a tampa de cada pequena urna, a indicação da data em que faleceram revelava que ao menos três novas mortes ocorreram na última terça-feira. A tensão causada entre a população pelos recentes acontecimentos faz que os boatos se multipliquem. Poucos sabem ao certo o número de mortes das últimas semanas e, a cada novo corpo que chega ao Tapanã, mais uma morte é atribuída à crise na Santa Casa.

Nem todas, no entanto, são resultado da falta de estrutura da unidade de terapia intensiva (UTI) neonatal da unidade. É impossível determinar a causa da morte de quatro das sete crianças - a identidade dos pais não é revelada.

Entre os familiares que compareceram ao enterro, pelo menos um deles acusa o hospital de negligência. Telma Santana, tia de uma das crianças mortas, reclama do tratamento que sua irmã, Heide Joselene, de 26 anos, recebeu no local. Segundo ela, o hospital deu alta para sua irmã, por duas vezes, sem que ela tivesse condições. O resultado foi uma cesariana de urgência, que terminou com a morte do bebê menos de 24 horas depois. "Foi falta de atenção dos médicos", afirmou. "Não é porque é público que é de graça. (O dinheiro para manter o hospital) sai do bolso de todo mundo." Ela admite, porém, que não se trata de má vontade. "Com a rotina dos médicos aqui, é impossível ser atencioso", disse.

Para a coordenadora da Comissão de Neonatologia da Santa Casa, Vilma Hutin, não há indícios de infecção hospitalar, ainda que a falta de estrutura da UTI neonatal e do berçário ofereçam condições para isso. Há dois anos, a comissão foi organizada para cobrar dos gestores de saúde do Estado uma solução para os problemas da unidade, que se arrastam desde então. "Não é normal nem aceitável uma sucessão de mortes como essa", disse.

Na próxima semana, os técnicos do Ministério da Saúde devem retornar a Belém para concluir as investigações. O Ministério Público do Pará, o Sindicato dos Médicos e o Conselho Regional de Medicina também cobram respostas do governo estadual, que até o momento se manifestou apenas por meio de uma nota.