Escândalo de venda de armas atinge Sarkozy
'Caso Karachi' é um dos escândalos mais graves que envolve o comércio internacional de armas
PARIS - Revelações recentes feitas pela imprensa da França estão apertando o cerco ao presidente Nicolas Sarkozy, em um dos mais graves escândalos de pagamento de propinas no comércio internacional de armas, o chamado "Caso Karachi". Depois de reportagens da agência France Presse e do portal Mediapart, agora o jornal Libération trouxe provas de que Sarkozy, então ministro do Orçamento, conheceria a negociata feita em 1994.
A acusação do jornal de centro-esquerda foi feita em reportagem de capa intitulada "Sarkozy sabia", publicada na segunda-feira, 2. Segundo o diário, o atual presidente teria avalizado em 1994 a criação de uma empresa, a Heine, para viabilizar o pagamento de "comissões ocultas".
A denúncia tem base em investigações realizadas pela polícia de Luxemburgo, que teria se apoderado de correspondências trocadas entre Sarkozy e os diretores da empresa. À Justiça de Luxemburgo, uma das testemunhas do caso, Gérard-Philippe Menayas, ex-diretor administrativo e financeiro da Direção de Construções Navais (DCNI) - estaleiro que produzia as fragatas vendidas ao Oriente Médio -, afirmou: "É claro que o Ministério do Orçamento necessariamente deu o seu OK para a criação de Heine. (...) Vista a importância do assunto, essa decisão só poderia ser tomada no nível do gabinete do ministro."
Na prática, Sarkozy teria aprovado a isenção de impostos para os cerca de € 300 milhões em "comissões" atreladas a dois contratos - Agosta e Sawari II -, ambos relativos à venda de submarinos e fragatas respectivamente ao Paquistão e à Arábia Saudita. Uma parte da propina paga teria voltado à França na forma de financiamento clandestino de campanhas eleitorais da União por um Movimento Popular (UMP) - partido de Sarkozy, do ex-presidente Jacques Chirac e do ex-primeiro-ministro Édouard Balladour. Um diretor de gabinete de Sarkozy já é oficialmente investigado pela Justiça.
A quatro meses do primeiro turno das eleições presidenciais, as revelações ameaçam o as pretensões de Sarkozy. Ontem, pelo segundo dia consecutivo, líderes do Partido Socialista (PS), do Partido Verde e da Frente Nacional (FN), de extrema direita, uniram-se para cobrar explicações do chefe de Estado.
Já a UMP, de Sarkozy, em vez de esclarecer as denúncias preferiu questionar a idoneidade do jornal Libération e seus vínculos com os socialistas. "O PS está restabelecendo seu gosto pela perseguição", afirmou Sébastien Huygue, secretário nacional da UMP.
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