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Escândalo político prejudica favorito para cúpula do PC chinês

Governo de Bo Xilai, cotado para o Politburo, está em xeque desde que um assessor refugiou-se em consulado americano

14 de fevereiro de 2012 | 3h 08
CLÁUDIA TREVISAN , CORRESPONDENTE / PEQUIM - O Estado de S.Paulo

O Partido Comunista da China está imerso no mais grave escândalo político de anos recentes, que ameaça inviabilizar a pretensão do comandante supremo de Chongqing, Bo Xilai, de ascender à cúpula dirigente do país no processo de sucessão do fim do ano. A crise também pode colocar em xeque o chamado "modelo de Chongqing" de desenvolvimento, que enfatiza consumo doméstico, investimentos em alta tecnologia e a reabilitação do culto a Mao Tsé-tung.

O estopim da crise foi a queda de Wang Lijun, ex-todo poderoso chefe de Segurança Pública e braço direito de Bo até o dia 2. Ele perdeu o cargo e foi transferido para uma área ligada à educação e cultura.

No dia 6, Wang viajou quatro horas de carro de Chongqing até Chengdu, capital de Sichuan, e se refugiou por dez horas no Consulado dos Estados Unidos. O Departamento de Estado americano confirmou o fato, mas não revelou o que foi discutido e afirmou que Wang deixou o local por vontade própria.

Não se sabe se o ex-assessor de Bo pediu asilo político ou usou o porto seguro do consulado para negociar uma "rendição" às autoridades de Pequim, por temer ser assassinado. Mas ele escolheu um momento delicado: a véspera da visita aos Estados Unidos do vice-presidente Xi Jinping.

A versão mais confiável do episódio é a de que Wang passou a ser investigado por corrupção e escreveu uma carta à Comissão Central de Inspeção Disciplinar do Partido relatando supostas irregularidades cometidas por Bo, depois do que passou a temer por sua vida.

Wang passou a noite no consulado, que no dia seguinte foi cercado por 70 carros da polícia de Chongqing despachados pelo prefeito da cidade, Huang Qifan, provavelmente por ordem de seu chefe, Bo, que é o secretário-geral do partido no município.

Segundo relatos divulgados na internet e por analistas políticos, Pequim enviou um emissário ao local, acompanhado por agentes de segurança. Depois de um impasse sobre quem deveria prendê-lo, Wang teria se rendido às autoridades do governo central e sido transferido para Pequim.