Especialista propõe legalizar drogas
Para policial dos EUA, estratégia de combate é 'completo fracasso'
O Estado do Rio jamais vai retomar o controle dos territórios que estão sob domínio dos traficantes, se não for adotado um sistema de legalização regulada de todos os entorpecentes. Essa é a opinião do policial aposentado americano Jack Cole, membro-fundador e diretor executivo da Law Enforcement Against Prohibition, entidade formada por 15 mil policiais, juízes, promotores e agentes carcerários nos Estados Unidos. Um dos palestrantes na 2ª Reunião da Comissão Brasileira sobre Drogas e Democracias, realizada ontem no Rio, ele foi taxativo sobre o assunto.
"Com a experiência que tenho de 40 anos trabalhando nisso, acredito que nunca será possível tomar controle dessa situação a não ser que se legalize o uso de drogas. Essa é a única coisa que pode ser feita para diminuir a violência, pois assim se tira dos bandidos o controle sobre as drogas e, consequentemente, seus lucros", afirmou Cole. Para reforçar os argumentos, o ex-policial, que passou 14 anos como agente infiltrado em quadrilhas de traficantes, apresentou diversos dados sobre o consumo de entorpecentes e a guerra travada nos EUA.
Segundo ele, o governo americano já gastou mais de US$ 1 trilhão no combate às drogas. "E os resultados são pífios. Nossa política para o setor é um completo fracasso. Sempre foi. As coisas estão muito piores do que quando começou a guerra contra as drogas, há 40 anos", disse.
O avanço dos entorpecentes, apesar da repressão, é mostrado nos números citados pelo ex-policial. A quantidade de usuários nos EUA em 1965 era de 4 milhões, o que representava 2% da população acima de 12 anos. Em 2003, esse número chegou a 112 milhões, ou 46% do total. Os custos da cocaína no atacado despencaram 60% e os da heroína, 70%. O número de pessoas presas por crimes relacionados às drogas chegou a 415,6 mil, em 1970. Em 2005, já era 1,8 milhão.
Cole ainda afirmou que a concentração de forças no combate às drogas diminuiu a eficácia da polícia americana na investigação de outros crimes. Em 1963, os casos de homicídio solucionados totalizavam 91%. Atualmente, a marca caiu para 61%. "Como a polícia está concentrada na guerra contra as drogas, fica difícil proteger a sociedade de assassinos, ladrões e molestadores de crianças."
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