EUA acusam iranianos de conspiração para assassinar embaixador saudita
Terrorismo. Manssor Arbabsiar foi detido no aeroporto de Nova York após ser entregue pelo México, onde tentava contato com assassinos do cartel Los Zetas; diplomata deveria ser executado num restaurante de Washington com uma carga de explosivos
O governo americano anunciou ontem ter desbaratado um suposto complô de dois iranianos ligados ao governo de Teerã para assassinar o embaixador da Arábia Saudita nos EUA. Manssor Arbabsiar, de 56 anos, naturalizado americano, teria tentado contratar integrantes de um cartel mexicano para matar o diplomata árabe, sem saber que negociava com um agente infiltrado da polícia antidroga dos EUA.
O Irã negou envolvimento no caso, qualificando o anúncio de "ato fabricado de propaganda dos EUA". Arbabsiar foi preso dia 29 no aeroporto de Nova York, após ser entregue pelo México. Gholam Shakuri, que teria servido de elo entre ele e a Brigada Al-Quds, unidade de elite da Guarda Revolucionária de Teerã, está foragido. Ambos responderão por quatro acusações, incluindo conspiração para usar armas de destruição em massa - o assassinato do diplomata saudita seria feito com explosivos. Arbabsiar deveria ser levado ainda ontem a uma corte federal americana.
A revelação do suposto complô foi feita pelo secretário de Justiça dos EUA, Eric Holder, e pelo diretor do FBI, Robert Mueller. O presidente Barack Obama sabia da operação - batizada de "Coalizão Vermelha" - desde junho, segundo a Casa Branca.
Os iranianos também planejariam atacar a Embaixada de Israel em Washington e teriam discutido a possibilidade de bombardear as missões de Riad e Tel-Aviv em Buenos Aires.
A polícia antinarcóticos dos EUA informou que a operação teve início em maio, quando Arbabsiar entrou em contato com um integrante do cartel mexicano Los Zetas na cidade de Corpus Christi, Estado do Texas, para contratar o serviço. Seu interlocutor, porém, era um policial infiltrado dos EUA. Por se tratar de uma investigação sobre um complô internacional, o caso foi parar no FBI.
Arbabsiar, que dizia ter um primo no alto escalão das Forças Armadas iranianas, encontrou-se duas vezes com o agente americano na cidade mexicana de Reynosa, na fronteira com o Texas. O policial disfarçado afirmou que o cartel cobraria US$ 1,5 milhão pelo assassinato. Arbabsiar efetuou dois depósitos de US$ 50 mil cada em uma conta de fachada da polícia.
O embaixador saudita nos EUA, Adel al-Jubeir (mais informações nesta página), seria morto em um restaurante não identificado de Washington, "também frequentado por políticos americanos", segundo o Departamento de Justiça. A arma seria uma carga de explosivo C-4.
O agente teria ponderado com Arbabsiar sobre o alto risco de a explosão provocar a morte de outros civis. O iraniano teria respondido: "Eles querem o cara (o embaixador saudita) morto. Se uma centena for com ele, f... ."
Não está claro qual papel Shakuri, o integrante da Guarda Revolucionária, teria desempenhado no complô, mas ele é citado no processo como réu ao lado de Arbabsiar. O iraniano esteve em seu país em setembro, após fazer uma conexão em Frankfurt. Na visita, ainda segundo os EUA, ele teria acertado "detalhes finais" do plano de assassinato.
Em seguida, embarcou para o México, após escala nos EUA. Autoridades mexicanas proibiram sua entrada e o enviaram de volta a Nova York - onde foi preso ao desembarcar. Arbabsiar teria confessado sua participação no complô.
Sem dar detalhes sobre a cooperação entre as polícias americana e mexicana, o secretário de Justiça agradeceu ao país vizinho pela ajuda na operação. O governo saudita não se pronunciou, embora nos bastidores autoridades já falassem que "alguma medida terá de ser tomada".
Nos últimos dias, Holder vinha sendo alvo de duras críticas de republicanos, que o acusavam de ter idealizado uma desastrada operação secreta de venda de armas para cartéis mexicanos para obter mais informações sobre as redes da droga.
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