EUA ''desprezam'' palestinos e árabes, afirma líder da OLP
Mahmoud Abbas reitera a negociador americano que pedirá à ONU o reconhecimento do Estado palestino
RAMALLAH, CISJORDÂNIA
Washington demonstra "desprezo" pelos árabes ao tentar evitar o reconhecimento do Estado palestino perante a ONU, afirmou ontem Yasser Abed Rabbo, secretário-geral da Organização de Libertação da Palestina (OLP). No mesmo dia, o enviado americano encarregado do processo de paz no Oriente Médio, David Hale, encontrou-se com o presidente palestino, Mahmoud Abbas, com a intenção de tentar frear a manobra diplomática.
Os EUA temem que a iniciativa palestina, prevista para ocorrer este mês, durante as sessões da Assembleia-Geral das Nações Unidas, dificultaria ainda mais as vacilantes tentativas americanas de reviver as negociações entre Israel e os palestinos - que estão suspensas desde outubro, quando Tel-Aviv retomou os assentamentos nos territórios que ocupa desde 1967.
"(Abbas) reiterou (ao americano) que a posição árabe e palestina é apelar à ONU, dado que Israel ainda se nega a reconhecer termos claros (para as negociações) e segue ampliando os assentamentos", afirmou Nabil Abu Rudeina, porta-voz do presidente palestino, após a reunião em Ramallah.
O primeiro-ministro israelense, Binyamin Netanyahu, reafirmou ontem sua intenção de retomar negociações diretas de paz com os palestinos. "O importante é iniciar, continuar e completar as negociações", disse.
Para o secretário-geral da OLP, a atual política americana na região está restrita a um único ponto: impedir a iniciativa diplomática palestina na ONU. "O assunto não é o dos assentamentos, da independência palestina, dos direitos dos palestinos ou do impedimento dos crimes perpetrados pelos colonos contra o povo palestino. Tudo isso está sendo ignorado e o único tema (discutido pelos americanos) passou a ser nós não apelarmos às Nações Unidas", disse Rabbo.
"Isso mostra não apenas o desdém (americano) pela posição palestina, mas também o desprezo (dos EUA) pelo que está acontecendo no mundo árabe", afirmou, mencionando a luta contra regimes autocratas que tem ocorrido no Norte da África e Oriente Médio.
Israel opõe-se ao reconhecimento do Estado palestino perante a ONU por considerar que a manobra tem a intenção de minar a legitimidade do governo de Tel-Aviv e considera que tal status só poderia ser obtido a partir da negociação de um pacto.
Os palestinos buscam a criação de um Estado independente composto por Cisjordânia, Faixa de Gaza e Jerusalém Oriental. Não está claro, porém, se a manobra na ONU pretende tornar a representação palestina integrante plena das Nações Unidas ou um "Estado não membro", como o Vaticano, o que já elevaria o status palestino. Na primeira possibilidade, os EUA têm o poder de vetar a proposta no Conselho de Segurança da ONU, antes da votação pela Assembleia-Geral da entidade. / REUTERS
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