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EUA fecham o cerco contra a obesidade

07 de abril de 2010 | 0h 00
Gustavo Chacra, CORRESPONDENTE / NOVA YORK - O Estado de S.Paulo

Escritores, chefs, cineastas, empresários e políticos dos Estados Unidos, liderados pela primeira-dama Michelle Obama, lançaram uma cruzada inédita no país do fast-food contra a indústria alimentícia, que começa a ser tratada como a do tabaco. O objetivo é mudar hábitos alimentares e reduzir a obesidade.

De acordo com a Sociedade Americana de Obesidade, 25% dos habitantes do país são obesos e 36,5% estão acima do peso. O total de americanos com problemas de peso cresceu quase dez pontos porcentuais na última década. Em algumas minorias, como a das mulheres negras, a situação é mais grave - cerca de 40% são obesas, o que resulta no aumento dos casos de diabete e problemas cardíacos, entre outros.

O risco pode ser ainda maior nos próximos anos, como alertou Michelle Obama ao lançar sua campanha contra a obesidade infantil. Uma em cada três crianças americanas é obesa ou está acima do peso. Na sua campanha, denominada "Let"s Move" ("Vamos nos Mexer"), a primeira-dama incentiva os pais a procurarem alimentos saudáveis para seus filhos e estimulá-los a praticar exercícios. Em uma imagem que ficou clássica, Michelle aparece ao lado das duas filhas plantando verduras e legumes em uma horta no jardim da Casa Branca.

O governo implementou sites com atlas sobre comida e outro com uma pirâmide de alimentação. Michelle pediu à indústria alimentícia que "reformule os produtos, particularmente os destinados às crianças, para que tenham menos gordura, sal e açúcar e mais nutrientes."

A primeira constatação é de que milhões de americanos não têm ideia de como adotar uma dieta saudável. No programa de TV Food Revolution ("Revolução da Comida"), que foi lançado há duas semanas e tem batido recordes de audiência, o chef britânico Jamie Oliver mudou-se para Huntington, na Virgínia Ocidental, onde tentará revolucionar a forma como comem os habitantes da cidade com maior índice de obesidade dos EUA.

As imagens são chocantes e o renomado cozinheiro tem fracassado em seu intento. Alguns estudantes nunca usaram faca, pois toda a alimentação é baseada em alimentos processados. Em uma escola, os alunos comem pizza no café da manhã. Crianças não conseguem reconhecer uma batata crua, definindo como "batata" apenas a frita.

Nova York. Em outros lugares, como Nova York, os ativistas estão mais otimistas. O prefeito Michael Bloomberg implementou há alguns anos uma lei que obriga as principais redes a colocarem em seus cardápios a quantidade de calorias. Assim, ao ir a uma Starbucks, descobre-se que uma fatia de bolo de banana tem mais de 400 calorias.

O prefeito, que já travou uma batalha contra a gordura trans - encontrada em alimentos industrializados - agora luta contra o sal. Neste ano, Bloomberg divulgou recomendações para reduzir seu consumo nos restaurantes americanos. Alguns de seus assessores afirmam que, caso não haja uma redução voluntária, as propostas poderão se tornar leis em breve.

As redes de supermercado que mais crescem na cidade são as orgânicas, assim como feiras com fazendeiros vendendo produtos frescos para moradores de Manhattan e Brooklyn, não muito diferente do que ocorre em São Paulo. A maior vitória, por enquanto, surgiu graças a um vilão da dieta saudável: a Pepsi, que retirou por opção própria seus refrigerantes das escolas, substituindo-os por sucos.


Gorduras a mais

Dados da Sociedade Americana de Obesidade mostram grandes taxas de sobrepeso - o que acarreta problemas de saúde como diabete e cardiopatias - e piora da situação nos últimos anos:


25%
dos habitantes do país são
obesos


36,5%
estão acima do peso


40%
é o índice de mulheres negras
obesas


10
pontos porcentuais foi quanto cresceu o total de americanos com sobrepeso na última década