Europa aperta cerco ao preconceito
Ingleses assinam manifesto anti-homofobia e Parlamento adota medidas para combater o racismo
LONDRES - As lutas contra a homofobia e o racismo no esporte ganharam aliados de peso nesta quinta-feira. Na Inglaterra, os 20 clubes da Premier League assinaram manifesto contra atitudes discricionárias em relação aos homossexuais. Na Bélgica, o Parlamento Europeu estabeleceu uma série de medidas para evitar a violência, incluindo racismo e discriminação religiosa, em jogos de futebol.

O posicionamento dos clubes ingleses é mais uma iniciativa na "guerra'' contra a intolerância iniciada em março passado pelo governo britânico. Na ocasião, foi lançada a "Carta contra a homofobia''. Em junho, foi a vez de os responsáveis pela Premier League assinarem o documento.
"O Campeonato Inglês e seus membros acreditam que qualquer um deveria participar e desfrutar do esporte'', assinalou o diretor executivo da Premier, Richard Scudamore.
No documento validado pelos clubes, há o comprometimento de fazer do futebol algo agradável para todos, sejam jogadores, torcedores ou pessoas que trabalham profissionalmente ou como voluntários nos estádios. "Todos devem ser bem-vindos.''
Mesmo com as iniciativas, jogadores que estão na Inglaterra relutam em assumir a homossexualidade. Até agora, o único caso conhecido de alguém que admitiu ser gay é o de Justin Fashaw. Porém, ele se suicidou em 1998, após ser acusado de agressão sexual a um adolescente.
A organização de defesa dos direitos dos homossexuais Stonewall diz que a maioria dos jogadores gays sofre pressões por parte de seus clubes e agentes para que não tornem pública sua orientação sexual, para evitar a "hostilidade dos torcedores''.
Racismo. O Parlamento Europeu, por sua vez, está preocupado com todo tipo de violência, entre elas o racismo. Propõe banir dos estádios do continente torcedores preconceituosos e agressivos. Pede, também, às federações que comandam o futebol, que sejam mais duras com a intolerância, com a criação de regras específicas
O racismo tem se mostrado bastante presente no futebol europeu, apesar de todas as campanhas para combatê-lo. Nos últimos dias, o francês Cissé, que trocou a Lazio pelo Queens Park Rangers, foi alvo de várias ofensas por meio do Twitter, feitas por torcedores italianos.
Cissé tentou levar com tranquilidade e bom humor, mas perdeu a esportiva quando foi chamado de "macaco gigante'' por um deles. "Desfile de idiotas'', postou, como resposta a todos que o ofenderam.
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