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Europeus veem estádios ficarem mais vazios

Só Inglaterra e Alemanha tiveram aumento no número de torcedores; 27 de 48 ligas sofreram quedas

30 de janeiro de 2012 | 3h 05
Jamil Chade - Correspondente - O Estado de S.Paulo

GENEBRA - A pior crise econômica da história da zona do euro afasta torcedores dos estádios e faz a média de público do futebol sofrer uma queda importante. Dados coletados pela Uefa em relação aos 48 campeonatos nacionais revelam que apenas uma minoria conseguiu manter a atração intacta.

Lecce x Inter. Público era de 10 mil pessoas - Alessandro Garofalo/Reuters
Alessandro Garofalo/Reuters
Lecce x Inter. Público era de 10 mil pessoas

Desde 2008 a economia europeia patina, com o desemprego dobrando e países vendo metade de seus jovens sem trabalho. Se inicialmente os cartolas destacavam que o futebol estava imune à crise e os clubes conseguiam superar sem grandes problemas a recessão, em 2011 a constatação é de que nenhum setor está isento. Bancos deixaram de emprestar a clubes, que por sua vez tiveram de reduzir a contratação de astros.

O Campeonato Espanhol chegou a estar ameaçado, com mais de 200 jogadores se queixando que seus salários não estavam sendo pagos em dia. No total, os clubes europeus somam dívidas de quase R$ 20 bilhões.

Agora, dados mostram que a crise não se limita à administração dos clubes. A queda no nível de renda médio dos europeus já reflete também nas arquibancadas. Em 2011, pelo segundo ano consecutivo, os campeonatos nacionais sofreram uma redução de público e 27 das 48 ligas sofreram quedas significativas que ameaça exigir modificações nas contas dos clubes.

Das cinco grandes ligas - Inglaterra, Alemanha, Espanha, França e Itália -, apenas as duas primeiras mantiveram um aumento no número de torcedores. A Liga Inglesa teve uma alta de 3,3% e no caso alemão, 0,4%. Nos demais, a queda foi pronunciada.

Em apenas um ano, estádios na França e Itália registraram quedas de mais de 3%. Na Espanha, com 22% de desempregados, a redução foi em média de 4%. Em Portugal, um dos países mais afetados pela crise, chegou a 5% em 2011.

A redução no número de torcedores parece ter relação direta com a crise. Só em um ano, o público caiu 15%. Na Irlanda, outro país socorrido pelo FMI e quebrado, a fuga de torcedores chegou a 20% em uma temporada. Hungria e Estônia também viram as arquibancadas esvaziarem.

OCUPAÇÃO
Diante de três anos de crise, a imagem do futebol europeu com seus estádios cheios começa a mudar. Hoje, apenas três campeonatos registram altas taxas de público. Alemanha, Inglaterra e Holanda têm espaços ocupados em mais de 90% em média a cada jogo, um sucesso absoluto e que transformou o futebol na maior indústria esportiva desses países. Espanha, França e Noruega ainda veem uma média de 70% dos estádios cheios a cada partida.

Mas todos os demais 42 campeonatos europeus registram menos de 50% de estádios cheios, incluído o da Itália. Os estádios de Portugal têm menos de 40% de sua capacidade usada em média por jogo. No Leste Europeu, a grande maioria dos campeonatos não consegue completar de 20% a 30% de suas arquibancadas.

"Essa é a realidade mesmo em campeonatos que cobram ingressos de apenas 5 euros" , afirmou Sefton Perry, economista da Uefa. "Em momentos de crise, não é fácil pagar por entradas (para jogos)", admitiu Perry. "Há muitos estádios vazios."




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