Executiva do PDT reúne-se terça para ouvir versão de Paulinho
Segundo presidente do partido, denúncias contra o deputado 'são graves e precisam ser esclarecidas'
Depois de duas semanas com o nome do deputado Paulo Pereira da Silva (PDT-SP), o Paulinho da Força, citado como suspeito de envolvimento no esquema de desvio de recursos do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), a Executiva Nacional do PDT vai se reunir extraordinariamente na terça-feira para cobrar explicações.
"São notícias graves e precisam ser esclarecidas. É preciso saber se ele está realmente sendo investigado, quais são as denúncias e lhe dar o direito de defesa", disse o presidente do PDT e líder da bancada na Câmara, deputado Vieira da Cunha (RS).
Segundo ele, o partido "segue os princípios da ética e da probidade" e esse fato incomoda a legenda. "É extremamente constrangedor para o partido", afirmou. Cunha, no entanto, disse que Paulinho merece a confiança do PDT e ressaltou que partiu do próprio deputado a iniciativa de convocar a reunião da Executiva Nacional com a participação das bancadas da Câmara e do Senado.
Na quarta-feira, os senadores Osmar Dias (PDT-PR) e Jefferson Péres (AM), líder da bancada no Senado, manifestaram preocupação com o fato de as denúncias, reveladas pelo Estado, desgastarem politicamente o partido e pediram explicações de Paulinho. "Todos nós queremos esse assunto esclarecido. O principal interessado em tornar clara a situação é o próprio Paulo Pereira da Silva", disse Cunha.
RELATÓRIO
Investigações da Polícia Federal levantam suspeitas da ação de Paulinho em esquema de desvio de recursos públicos a partir de financiamentos concedidos pelo BNDES. O nome do deputado é citado em relatório da PF, que o associa ao esquema de fraudes. O documento também descreve dados sobre financiamentos concedidos às Lojas Marisa, um no valor de R$ 220 milhões e outro de R$ 184 milhões , e à Prefeitura de Praia Grande (SP), de R$ 124 milhões - que negam irregularidades.
Além da citação de Paulinho no relatório, a Polícia Federal, durante a Operação Santa Tereza, prendeu João Pedro de Moura, que é ex-assessor do deputado e ex-conselheiro do BNDES - tendo chegado ao cargo por indicação do pedetista.
FRIEZA
Em ano eleitoral e em meio à montagem de alianças políticas nos municípios, a reação da Câmara foi fria. O corregedor da Casa, Inocêncio Oliveira (PR-PE), disse que o órgão só vai agir se houver pedido formal de investigação. O presidente da Câmara, Arlindo Chinaglia (PT-SP), considera a situação ainda confusa para tomar alguma providência. O PSOL, partido que tem tomado iniciativas em defesa da apuração de denúncias contra parlamentares, ainda avalia se entrará ou não com representação contra o deputado no Conselho de Ética.
A líder do PSOL na Câmara, Luciana Genro (RS), lembrou que a experiência em casos anteriores tem desestimulado as ações contra deputados no colegiado. "A composição do conselho é, no mínimo, complicada. Em outras ocasiões, o conselho tem absolvido os deputados, que usam esse resultado como atestado de idoneidade. Não queremos correr o risco com esse tipo de situação. Nós queremos coisas mais concretas para constranger o Conselho de Ética a abrir processo", disse Luciana.
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